Sábado, Julho 23, 2005

Capítulo 30

Capítulo 30 - A Tumba BrancaTodas as aulas estavam suspensas, todas as provas adiadas. Alguns alunos foram levados de Hogwarts por seus pais nos dias seguintes - as gêmeas Patil já tinham ido antes do café da manhã após a morte de Dumbledore e Zacarias Smith foi acompanhado do castelo por seu arrogante pai. Simas Finnigan, por outro lado, bateu o pé que não queria ir para casa com sua mãe; eles tiveram uma discussão no hall de entrada que só terminou quando ela deixou que ele ficasse para o funeral. Ela achou a muito custo um leito em Hogsmeade, Simas contou a Harry e Rony, já que estavam chovendo magos e bruxas na vila, preparando-se para dar seu adeus a Dumbledore. Alguns alunos mais novos, que nunca tinham visto algo semelhante, ficaram um tanto exaltados quando uma carruagem azul do tamanho de uma casa, puxada por uma dúzia de cavalos alados gigantes, surgiu dos céus de tardinha antes do funeral e aterrissou na borda da floresta. Harry observava da janela enquanto uma linda morena gigante desceu os degraus da carruagem e se jogou nos braços de Hagrid. Enquanto isso uma delegação de oficiais do ministério da magia, incluindo o próprio Ministro da Magia, estava sendo acomodada no castelo. Harry estava deliberadamente evitando contato com qualquer um deles; tinha certeza de que, mais cedo ou mais tarde, pedir-lhe-iam que contasse sobre a última excursão de Dumbledore além dos limites do castelo. Harry, Rony, Hermione e Gina estavam juntos o tempo todo. O tempo bom parecia debochar deles; Harry imaginava como teria sido se Dumbledore não tivesse morrido, e eles tivessem algum tempo juntos no finalzinho do ano, as provas de Gina tinham acabado, o peso do dever de casa tinha acabado... e hora por hora, ele adiava dizer o que ele sabia que devia dizer, fazer o que ele sabia ser a coisa certa a fazer, porque era difícil demais esquecer sua melhor fonte de conforto.Eles visitavam a enfermaria duas vezes por dia: Neville já tinha tido alta, mas Gui ainda estava sob os cuidados de Madame Pomfrey. Suas cicatrizes estavam ainda muito ruins; na verdade, ele agora lembrava um pouco Olho-Tonto Moddy, embora graças a deus com olhos e pernas, mas em personalidade ele ainda era o mesmo de sempre. A única coisa que parecia ter mudado era que agora ele tinha um gosto por bifes raros. - Que bomm que êle vai se casarrr comigo. - disse Fleur contente, arrumando os travesseiros de Gui, - porrrque as brrritânicas cozinhamm demais a carrrne, eu semprre disse.- Acho que vou ter que aceitar que ele vai casar com ela. - suspirou Gina, mais tarde, enquanto ela, Harry, Rony e Hermione estavam sentados na janela da sala comunal da Grifinória.- Ela não é tão ruim assim. - disse Harry. - Feia, entretanto. - ele adicionou rapidamente, enquanto Gina levantava suas sobrancelhas e soltava uma gargalhada.- Bem, acho que se a mamãe consegue, eu consigo.- Mais alguém que conhecemos morreu? - Rony perguntou a Hermione, que estava folheando o Profeta Vespertino.Hermione recuou ante a dureza forçada na voz dele.- Não, - disse ela, dobrando o jornal. - ainda estão procurando Snape, mas nem sinal...- Claro que não, - disse Harry, que ficava irado cada vez que o assunto surgia. - não vão encontrar Snape enquanto não encontrarem Voldemort, e se eles não o acharam em 16 anos...- Eu vou dormir - disse Gina. - Não tenho dormido bem desde... bem... dormir um pouco me faria bem.Ela beijou Harry (Rony desviou o olhar), acenou para os outros dois e partiu para o quarto das meninas. Assim que a porta fechou atrás dela, Hermione virou-se para Harry com a maior cara de Hermione que Hermione era capaz de fazer. - Harry, eu descobri algo hoje de manhã, na biblioteca...- R. A. B.? - Disse Harry, esticando-se.Ele não se sentiu da maneira como se sentia normalmente antes, empolgado, curioso, morto de vontade de resolver um mistério; ele simplesmente sabia que a tarefa de descobrir a verdade sobre a Horcrux de verdade tinha que ser completada antes de dar alguns passos a mais no longo e curvo caminho a sua frente, o caminho que ele e Dumbledore tinham arranjado juntos, e no qual ele sabia que teria que caminhar sozinho a partir de então. Havia ainda pelo menos quatro Horcruxes em algum lugar e cada uma deveria ser encontrada e eliminada antes de haver sequer uma possibilidade de Voldemort ser morto. Ele continuava recitando nomes para si mesmo, como se os listando ele pudesse pô-los a seu alcance: "o pingente.., a copa... a cobra... algo sobre Grifinória ou Corvinal... o pingente... a taça... a cobra... Esse mantra parecia pulsar na cabeça de Harry quando ele dormiu aquela noite, e seus sonhos estavam cheios de copas, pingentes e objetos misteriosos que ele não conseguia alcançar, embora Dumbledore prestativamente oferecesse a Harry uma escada que virava cobras no instante em que ele começava a subir... Ele tinha mostrado a Hermione a nota dentro do pingente na manhã após a morte de Dumbledore, e embora ela não tivesse imediatamente reconhecido as iniciais de um bruxo sobre o qual ela tinha lido, ela vinha visitando a biblioteca um pouco demais para alguém que não tinha dever de casa. - Não, - ela disse tristemente. - eu tenho tentado, Harry, mas não achei nada... há vários bruxos conhecidos com essas iniciais: Rosalind Antigone Bungs... Rupert "Axebanger" Brookstanton... mas eles não parece se encaixar. Julgando pela nota, a pessoa que roubou a Horcrux conhecia Voldemort, e eu não acho indício algum de qualquer um dos dois ter tido algo a ver com ele... não, na verdade, é... bem, Snape. Ela ficou nervosa mesmo dizendo o nome de novo.- O que tem ele? - perguntou Harry, recostando-se em sua cadeira.- Bem, eu estava certo sobre a história do Príncipe Mestiço. - ela disse.- Precisa esfregar, Hermione? Como você acha que estou me sentindo agora?- Não, não, Harry, eu não quis dizer isso. - ela acrescentou rapidamente, checando ao redor se não estavam sendo ouvidos. - Eu estava certa sobre Eileen Prince ter tido o livro. Você sabe, ela era a mãe do Snape!- Eu achava que ela não era lá uma observadora. - disse Rony. Hermione o ignorou.- Eu estava olhando o resto do Profeta e havia um anúncio minúsculo sobre Eileen Prince se casando com um homem chamado Tobias Snape, e depois algo dizendo que ela tinha dado à luz um...- Assassino. - cuspiu Harry.- Bem... sim. - disse Hermione. - Então... eu estava certa. Snape deve ter tido orgulho de ter sido "meio-príncipe", entende? Tobias Snape era um trouxa pelo que li. - É, faz sentido, - disse Harry - ele interpretava o puro-sangue para se dar bem com Lucio Malfoy e o resto deles... ele é justamente como Voldemort. Mãe bruxa, pai trouxa... envergonhado de seus pais, tentando se fazer temido usando as Artes das Trevas, deu a si mesmo um nome forte - Lorde Voldemort - o príncipe mestiço - como Dumbledore não percebeu? Ele parou, olhando pela janela. Ele não conseguia evitar pensar sobre a inabalável confiança de Dumbledore em Snape... mas como Hermione tinha lhe lembrado, ele, Harry, foi levado da mesma maneira... apesar da crescente estranheza dos feitiços, ele tinha se recusado a acreditar naquilo sobre o garoto que tinha sido tão brilhante, que o tinha ajudado tanto... Ajudado... era quase um pensamento insuportável agora...- Eu ainda não entendi por que ele não te castigou por usar o livro. - disse Rony. - Ele devia saber de onde você estava tirando aquilo tudo.- Ele sabia, - disse Harry amargamente. - ele sabia quando eu usei Sectumsempra. Ele não precisava de Legilimância... ele já devia ter sabido até antes, com Slughom contando como eu era bom e Poções... não devia ver deixado seu livro velho na parte mais baixa do armário, não é? - Mas por que não te castigou?- Eu não acredito que ele quisesse ser associado àquele livro. - disse Hermione. - Eu não acho que Dumbledore teria gostado de saber. E mesmo que Snape fingisse que não era dele, Slughom teria reconhecido a letra dele. De qualquer maneira, o livro foi deixado na sala de aula antiga do Snape, e eu aposto que Dumbledore sabia que a mãe dele era chamada "Prince". - Eu devia ter mostrado o livro a Dumbledore. - disse Harry. - Todo esse tempo ele vinha me mostrando como Voldemort era maligno quando estava na escola, e eu tinha provas de que Snape era, também -- Maligno é uma palavra forte. - Hermione disse.- Você foi quem não parava de me dizer que o livro era perigoso!- Eu estou dizendo, Harry, que você está se culpando demais. Eu achava que Príncipe tinha um senso de humor um pouco estranho, mas nunca teria imaginado que ele era um assassino em potencial. - Nenhum de nós teria imaginado que Snape iria... você sabe. - disse Rony.O silêncio caiu entre eles, cada um perdido em seus pensamentos, mas Harry sabia que eles, como ele, estavam pensando sobre a manhã seguinte, quando o corpo de Dumbledore seria velado. Harry nunca tinha ido a um funeral antes; não tinha havido ninguém a enterrar quando Sirius morreu. Ele não sabia o que esperar e estava um pouco preocupado sobre o que veria, como se sentiria. Ele se perguntava se a morte de Dumbledore seria mais real para ele quando o funeral terminasse. Embora ele tivesse momentos nos quais o horrível fato ameaçava possuí-lo, havia espaços de branco nos quais, apesar do fato de que ninguém estava falando de nada além daquilo, ele ainda achava difícil acreditar que Dumbledore tinha morrido. Na verdade ele não tinha, como tinha com Sirius, procurado por algum tipo de revira-volta, alguma maneira de Dumbledore voltar... ele sentia em seu bolso a corrente fria da Horcrux falso, que ele carregava consigo a toda parte, não como um talismã, mas um lembrete do que aquilotinha custado e o que ainda havia a ser feito. Harry levantou-se cedo para arrumar as malas; o Expresso de Hogwarts sairia uma hora após o funeral. No andar de baixo ele encontrou o clima no hall um pouco para baixo. Todos vestiam seus robes e ninguém parecia ter fome. Professora McGonagall tinha deixado a cadeira no meio da mesa dos professores vazia. Na cadeira de Hagrid também não havia ninguém: Harry achou que talvez ele não estivesse preparado para encarar o café da manhã; mas o lugar de Snape tinha sido preenchido por Rufus Scrimgeour. Harry evitou seus olhos amarelos que observavam o salão; ele tinha a sensação desconfortável de que era procurado. Ao redor de Scrimgeour Harry viu os cabelos vermelhos de Percy Weasley. Rony não deu sinal de perceber a presença de Percy. Na mesa da Sonserina, Crabbe e Goyle estavam cochichando juntos. Eles eram garotos desajeitos e pareciam estranhamente sozinhos sem a pálida e grande presença de Malfoy em volta deles, mandando em tudo à sua volta. Harry não tinha pensado muito em Malfoy. Sua animosidade era toda contra Snape, mas ele não tinha esquecido o medo na voz de Malfoy no topo da torre, ou que ele abaixou sua varinha antes que outros Comensais da Morte chegassem. Harry não acreditava que Malfoy poderia ter matado Dumbledore. Ele ainda desprezava Malfoy pela sua paixão cega às Artes das Trevas, mas agora ele tinha um pingo de dó misturado com seu ódio. Onde, Harry questionava, estaria Malfoy agora, e o que Voldemort estaria fazendo com ele, ameaçando-o e a sua família de morte?Os pensamentos de Harry foram interrompidos por uma de Gina cutucando sua costela. Professora McGonagall tinha subido e o triste zumbido de luto no Salão morreu completamente."Está quase na hora", ela disse. "Por favor, sigam os seus Chefes das Casas até os jardins. Grifinória, comigo por favor".
Eles formaram uma fila do lado de seus bancos praticamente em silêncio. Harry vislumbrou Slughorn na frente da coluna da Sonserina, vestindo um manto magnífico de longas esmeraldas verdes bordadas com prata. Ele nunca tinha visto a Professora Sprout, Chefe da Casa Lufa-Lufa, parecer tão pura; não havia um simples remendo no seu chapéu, e quando eles alcançaram o Salão de Entrada, eles encontraram Madame Pince ao lado de Filch, ela em um grosso véu preto que descia até seus joelhos, ele em um antigo terno e de gravata, causando a impressão de um cabide. Eles estavam sendo conduzidos, como Harry conseguiu ver quando ele saiu do caminho de pedras da porta da frente, em direção ao lago. O calor do sol acariciava seu rosto enquanto eles seguiam a Professora McGonagall em silêncio para um local onde centenas de cadeiras haviam sido colocadas em fileiras. Um corredor levava ao centro delas: havia uma mesa de mármore posta na frente, todas as cadeiras direcionadas à ela. Era o dia mais bonito do verão.Uma extraordinária diversidade de pessoas já estavam acomodadas em metade das cadeiras: pobres e sábios, velhos e novos. Muitos Harry não reconheceu, mas teve alguns que sim, incluindo membros da Ordem da Fênix: Kingsley Shacklebolt, Olho-Tonto Moody, Tonks, seu cabelo miraculosamente havia retornado para um rosa choque, Remo Lupin, com quem ela parecia estar de mãos dadas, Sr e Sra Weasley, Gui ajudado por Fleur e seguido por Fred e George, que estavam vestindo jaquetas de pele de dragão preta. Então, lá estava Madame Maxime, que ocupava sozinha duas cadeiras e meia, Tom, o proprietário do Caldeirão Furado, Arabella Figg, a vizinho trouxa de Harry, o baixista cabeludo do grupo bruxo As Esquisitonas, as Esquisitonas, Ernie Frang, motorista do Noitibus Andante, Madame Malkin, da loja de vestimentas do Beco Diagonal, e algumas pessoas que Harry conhecia somente de vista, como o garçom do Hog"s Head e a bruxa que puxava o carrinho de chá do Expresso de Hogwarts. Os fantasmas do castelotambém estavam lá, pouco visíveis no brilho do sol, discerníveis apenas quando se moviam, insubstanciavelmente resplandecendo cintilantes no ar.Harry, Ron, Hermione e Gina procuraram lugares no final da fileira ao lado do lago. As pessoas estavam sussurrando umas às outras; parecia o som de um leve movimento na grama, mas a canção de pássaro estava alta mais longe. A audiência continua a crescer; com um grande e precipitado afeto para ambos, Harry viu Neville sendo ajudado a encontrar um lugar por Luna. Eles eram os únicos da AD que haviam respondido à convocação de Hermione na noite em que Dumbledore morreu, e Harry sabia o porquê: eles eram os que mais haviam perdido com o fim da AD... provavelmente os que checavam suas moedas com frequência na esperança de que houvesse um outro encontro...Cornelius Fudge passou por eles indo em direção às fileiras da frente, sua expressão miserável, girando seu chapéu coco verde como de costume; Harry depois reconheceu Rita Skeeter, que ficou furioso em ver, com uma pena-de-escrita-rápida agarrada na sua mão rubra; e depois, com um perverso golpe de fúria, Dolores Umbridge, com uma expressão não convincente de pesar sob sua face de cogumelo, um laço de veludo preto colocado acima de seus cinzentos cabelos enrolados sob a visão do centauro Firenze, que permanecia como um sentinela próximo a margem d"água, e assim ela logo começou apressadamente a procurar lugar a uma boa distância. A equipe de apoio estava sentada ao fundo. Harry podia ver Scrimgeour olhando seriamente e digno na primeira fila com a Professora McGonagall. Ele confabulava se Scrimgeour ou qualquer uma dessas pessoas importantes estava realmente lamentando que Dumbledore se foi e ele esqueceu o seu ódio ao Ministro olhando ao redor. Ele não era o único: muitas cabeças estavam virando, procurando, um pouco alarmadas.- Ali - disse Gina cochichando no ouvido de Harry.E ele os viu claramente iluminados na água verde pelo sol, movendo-se abaixo da superfície, lembrando-o horrivelmente do Inferi; um coro de sereianos cantando em uma língua estranha que ele não entendeu, suas pálidas faces onduladas, seus cabelos purpúreos transbordando em todas as direções. A música fez o cabelo na nuca de Harry se arrepiar e isso ainda não era desagradável. Ela falou muito claramente da perda e do desespero. Conforme ele olhava para as faces selvagens dos cantores, ele tinha o sentimento de que, no final das contas, estavam pesarosos da morte de Dumbledore. Então Gina acotovelou-o novamente e ele olhou em volta.Hagrid estava caminhando vagorasamente no corredor entre as cadeiras. Ele estava chorando silenciosamente, sua face cintilando com as lágrimas, e em seus braços, escondido em um veludo decorado com lantejoulas e estrelas douradas, aquilo que Harry saiba que era o corpo de Dumbledore. Uma cortante dor cresceu na garganta de Harry com essa visão: por um momento, a música estranha e o conhecimento de que o corpo de Dumbledore estava tão perto pareceram tirar todo o calor do dia. Rony olhou pálido e chocado. As lágrimas estavam caindo densamente e rapidamente nas bainhas de Gina e Hermione.Eles não podiam ver com clareza o que estava acontecendo na frente. Hagrid parecia ter posicionado o corpo cuidadosamente em cima da mesa. Agora, ele recuou no corredor, assoando o seu nariz com proclamados e barulhentos sons que extraíram olhares escandalizados de alguns, incluindo, Harry viu, Dolores Umbridge... mas Harry sabia que Dumbledore não teria ligado. Ele tentou fazer um sinal amigável para Hagrid enquanto ele passava, mas os olhos dele estavam tão inchados que era um mistério ele poder ver aonde estava indo. Harry deu uma espiada atrás da fileira que Hagrid estava alcançando e percebeu que, guiando-o para lá, vestindo uma jaqueta de calças cada uma do tamanho de uma pequena tenda, era o gigante Grope, seu grande e feio irmão com a cabeça arqueada, que docilmente parecia quase humano. Hagrid sentou-se próximo ao seu meio irmão Grope, que duramente saciou Hagrid na cabeça, então as pernas das suas cadeiras afundaram no chão. Harry teve uma compulsão momentânea para sorrir.Mas então, a música parou novamente e ele prestou atenção à frente novamente.Um pequeno homem com chapéu de pelos e em vestimentas pretas lisas chegou à frente e ficou parado na frente do corpo de Dumbledore. Harry não conseguia ouvir o que ele estava dizendo. Palavras estranham fluiam de volta para eles em milhares de bolhas. "Nobreza de espírito" ... "contribuição intelectual" ... "gratidão de coração" ... isto não tinha muito significado. Pelo que Harry conhecia de Dumbledore, tinha pouco a ver com ele. De repente, ele lembrou das idéias de Dumbledore de algumas palavras: "pessoa estúpida", "feijãozinho de pimenta", "gordura de baleia" e "besliquei", e de novo, teve que suprimir um gracejo ... qual era o problema com eles? Havia um barulho leve de respingos atrás dele e ele viu que os sereianos tinham rompido a superfície para escutar também. Ele lembrou de Dumbledore encolhendo-se na margem d"água dois anos atrás, próximo de onde Harry estava sentado agora, e conversando em sereiês com o Chefe dos Sereianos. Harry pensou onde Dumbledore tinha aprendido sereiês. Havia tanto que ele nunca tinha perguntado a ele, tanto que ele deveria ter perguntado...E então, sem aviso, isto o tomou conta, uma terrível e completa verdade, mais completa e de modo inegável do que até agora. Dumbledore estava morto, tinha ido embora ... ele agarrou com tanta força o gelado medalhão em sua mão que machucou-o, mas ele não pode prevenir as lágrimas quentes de caírem de seus olhos: ele olhou além de Gina e os outros olhavam além do lago, direcionando-se à Floresta, como o pequeno homem de preto falava monotonamente... havia movimento entre as árvores. Os centauros vinham trazer para a situação todo o seu respeito. Eles não moverem-se para o espaço aberto, mas Harry os viu permanecerem tranquilamente, meio escondidos nas sombras, vendo os bruxos e com seus arcos ao lado. E Harry lembrou da sua primeira e atemorizante viagem pela Floresta, a primeira vez que ele encontrou a coisa que era Voldemort, e como ele o enfrentou e como ele e Dumbledore haviam discutido lutar uma batalha perdida desde então. Era importante, Dumbledore disse, lutar e lutar econtinuar lutando, somente com isso o mau poderia ser mantido sob controle, entretanto quase nunca erradicado... E Harry viu muito claramente sob o sol quente, as pessoas que se preocupavam com ele saudando-o, e estavam na frente dele o tempo todo, um por um, sua mãe, seu pai, seu padrinho, e finalmente Dumbledore, todos determinados a protegê-lo; mas agora isto estava acabado. Ele não poderia deixar mais ninguém ficar entre ele e Voldemort; ele tinha que abandonar para sempre a ilusão que ele tinha desde pequeno: que a proteção dos seus pais significava que nada poderia machucá-lo. Não havia despertar deste pesadelo, o sussurro confortante na escuridão de que ele estava realmente seguro, que tudo estava na sua imaginação; o último e o maior dos seus protetores tinham morrido e ele estava mais sozinho do que nunca.O pequeno homem de preto havia acabado finalmente o discurso e reassumido seu assento. Harry esperava que alguém fosse pegar no seu pé; ele contava com discursos, provavelmente do Ministro, mas ninguém se moveu.Então várias pessoas gritaram. Chamas brilhantes e brancas surgiram e envolveram o corpo de Dumbledore e a mesa sobre a qual ele estava: cada vez mais altas e altas elas se levantaram obscurecendo a visão do corpo. A branca fumaça espiralada compôs formas estranhas no ar. Harry teve a impressão de que a fumaça formava uma fênix a voar alegre no céu azul, mas o fogo desapareceu em um segundo. Em seu lugar estava uma tumba de mámore branco encerrando o corpo de Dumbledore e a mesa onde ele repousara.Depois de mais alguns segundos outro grito de choque houveram devido a chuva de flechas que rasgaram os ares, e caíram distantes da multidão. Harry sabia, o tributo dos centauros: viu-os virar as caudas e desaparecerem atrás das frescas árvores. Da mesma forma os sereianos, que mergulharam nas verdes águas do lago e desapareceram de vista.Harry olhou para Gina, Rony e Hermione: a expressão de Rony era confusa, como se a luz do dia o ofuscasse. A face de Hermione parecia um espelho de lágrimas, mas Gina não mais chorava. Ela encontrou o olhar de Harry com aquele mesmo olhar endurecido, da mesma forma que ela o tinha olhado quando o tinha abraçado, após vencer o torneio de quadribol na sua ausência, e soube, nesse momento, que cada um se compreendia perfeitamente, e que quando contasse o que iria fazer a partir de então ela não diria "tenha cuidado" ou "não faça isso", mas aceitaria a sua decisão, porquê não esperaria outra coisa, nem mais nem menos, dele. E assim estava preparado para dizer o que sabia que sempre deveria dizer desde que Dumbledore morreu.- "Gina, ouça..." falou muito silenciosamente, enquanto a conversa ao redor deles se tornava mais alta. - "Eu não posso mais namorar contigo. Nós temos que parar de nos ver. Nós não podemos ficar juntos".Ela disse, com um estranho sorriso, "Isto por alguma estúpida, nobre razão, não é isso?"- "Isto é como... como se alguma coisa da vida de outra pessoa, e essas últimas semanas com você", disse Harry, "mas eu não posso... não podemos... eu tenho coisas pra fazer sozinho agora." Ela não chorou, apenas olhava para ele.- "Voldemort usa as pessoas mais próximas aos seus inimigos. Ele já te usou uma vez, e justamente porquê você era a irmã de meu melhor amigo. Pense no perigo a que você estará exposta se continuarmos juntos. Ele saberá, ela a encontrará. Ele tentará me pegar através de você."- "E se eu não me importar?" , disse ferozmente Gina.- "Eu me importo", disse Harry. "contigo. Pense no que eu sentiria se eu fosse ao seu funeral ... e por minha culpa..."Ela olhou longe, para o lago, e disse "Eu nunca realmente desisti de você. Não realmente. Sempre esperei... Hermione me disse para seguir com minha vida, talvez sair com outras pessoas, relaxar quando você estava perto, porque eu nunca era capaz de falar contigo no quarto, lembra-se? E ela pensou que talvez você iria me notar um pouco mais se eu fosse eu mesma." - "Menina esperta essa Hermione" Harry disse tentando sorrir. "Eu somente queria ter perguntado para você antes. Nós poderíamos ter feito isso há tempos ... meses... anos talvez..."- "Mas, você estava muito ocupado salvando o mundo mágico", disse Gina, meio rindo. "Bem... eu não posso dizer que eu estou surpresa. Eu sabia que isso poderia acontecer no fim. Eu sei que você não será feliz até vencer Voldermort. Talvez por isso que eu goste muito de você. "Harry não poderia ouvir aquelas coisas, ou sua decisão seria continuar sentado ao lado dela. "Ronyy", viu que ele estava agora segurando Hermione e acariciando seus cabelos enquanto ela chorava em seu ombro, lágrimas escorrendo ao longo de seu nariz. Com um gesto desalentado, Harry se levantou, deu suas costas para Gina e tumba de Dumbledore e caminhou para perto do lago. Andando a tristeza é muito mais suportável que permanecendo sentado: somente encontrando as Horcruxes e eliminando Voldemolt ele se sentiria melhor do que aguardar por isso... - "Harry!"Girou. Rufus Scrimgeour estava limpando rapidamente ao redor do banco, andando inclinado em sua vara .- "Eu tenho esperado por uma palavra... você se importa se eu andar abaixado como você?- "Não", disse Harry indiferentemente e novamente concluindo.- "Harry, isso foi uma tragédia terrível", disse Scrimgeour pesarosamente. "eu não posso contar-lhe como estou ouvindo isso. Dumbledore era um grande bruxo. Nós tivemos nossos desentendimentos, e você sabe, mas ninguém o conhecia melhor que eu."- "O que você quer?", perguntou aereamente Harry.Scrimgeour olhou-o irritado mas, como antes, modificou rapidamente sua expressão para uma de pesarosa compreensão.- "Você está, certamente, desanimado", ele disse "Eu sei que você era muito íntimo de Dumbledore. Eu acho que você sempre foi seu aluno favorito. A ligação entre vocês..."- "O que você quer?", repetiu Harry, voltando a parar.Scrimgeour também parou, inclinou-se em sua vara e olhou fixamente para Harry, com expressão irritada agora.- "A palavra era você quem estava com ele quando ele deixou a escola na noite em que ele morreu?"- "Que palavra?", perguntou Harry.- "Alguém estuporou um Comensal da Morte na torre depois que Dumbledore morreu. Havia também duas varinhas no local. O Ministro pode juntar dois e dois, Harry." - "Fico feliz em ouvir isso", disse Harry. "Bem, onde eu e Dumbledore estivemos e que fizemos são meus negócios. Eu não quero que todos saibam."- "A lealdade é admirável, realmente", disse Scrimgeour, que pareceu conter sua irritação com dificuldade, "mas Dumbledore partiu, Harry. Ele partiu."- "Somente terá partido quando não restar na escola mais ninguém leal a ele", disse Harry, sorrindo consigo mesmo.- "Meu caro garoto ... Dumbledore não poderá retornar do... "- "Eu não estou dizendo que ele possa. Você não compreenderia. Mas não tenho mais nada a lhe contar."Scrimgeour hesitou, então disse, e que foi evidentemente um tom supostamente delicado "O Ministério pode oferecer toda a sorte de proteção, você sabe, Harry. Eu ficaria muito contente se colocasse um par de Aurores ao seu serviço..."Harry riu.- "Voldemort que me matar pessoalmente e seus Aurores não irão pará-lo. Muito obrigado pela oferta, mas não, obrigado."- "Então", disse Scrimgeour, com sua voz fria, "o pedido que eu fiz para você no Natal..."- "Que pedido? Oh, sim... "aquele em que eu conto para o mundo o grande trabalho que você está realizando em troca de..."- "... para levantar a moral de todos!", sibilou Scrimgeour.Harry considerou-o por um momento.- "Libere Stan Shunpike então?"Scrimgeour ficou perigosamente roxo parecendo-se com seu tio Válter.- "Eu vejo você é..."- "Completa e completamente um homem de Dumbledore", disse Harry. "É isso.".Scrimgeour fitou-o por outro momento, então girou e seguiu seu caminho sem outra palavra. Harry pode ver Percy e o restante da delegação do Ministério esperando por ele, agrupando-se nervosamente sobre a sombra de Hagrid e Grope, que ainda permaneciam nos mesmos lugares onde estavam sentados. Rony e Hermione, deixaram Scrimgeour passar na direção oposta. Harry girou e voltou a andar lentamente, esperando que eles o alcançassem, o quê aconteceu justamente à sombra de uma árvore na qual haviam passados tempos felizes.- "O que Scrimgeour queria?", suspirou Hermione.- "O mesmo que ele queria no Natal", resmungou Harry. "Ele me procurou para obter informações sobre Dumbledore e para ser o novo garoto propaganda do Ministério"Rony pareceu esforçar-se consigo mesmo por um momento, então ele disse alto para Hermione "Olha, deixe ir e novamente acertarei Percy!".- "Não!", ela disse firmemente, segurando seu braço.- "Isso me faria sentir melhor!".Harry sorriu. Mesmo Hermione deu um pequeno sorriso, mas que se esvaneceu quando olhou para o castelo.- "Eu não posso aceitar a idéia de que nunca mais retornarei...", ela disse tristemente. "Como podem fechar Hogwarts?".- "Talvez não queiram.", disse Rony. "Nós não estaremos em perigo menor aqui tanto quanto em nossas casas, estaremos? Todos os lugares são iguais agora. Eu diria até que Hogwarts é mais segura que dentro da casa que qualquer bruxo possa defender. O quê você acha, Harry?"- "Eu não retornarei mesmo se reabrir", disse Harry.Rony se engasgou, mas Hermione disse tristemente "Eu sabia que você ia dizer isso. Mas então o que você fará?".- "Eu vou retornar a casa dos Dursleys por enquanto, porque Dumbledore assim desejou", disse Harry. -"Mas vai ser uma visita curta, e então terei ido para o bem."- "Então você partirá e não retornará para a escola?"- "Eu pensei que eu voltaria novamente para a Toca", murmurou Harry. Mas ele tinha uma idéia fixa em sua cabeça desde a noite da morte de Dumbledore. "Para mim, isto começou aqui, tudo isto. E justamente tenho a sensação de que devo partir. E preciso visitar as sepulturas de meus pais, ele desejava isso. E então...".- "E então o quê", perguntou Ronyy.- "Então eu tenho que encontrar os Horcruxes restantes, não tenho?", disse Harry, seus olhos postos sobre a branca tumba de Dumbledore, que refletiam as águas do outro lado do lago. Isso porque ele me procurou, isso porque ele me falou tudo sobre isso. Se Dumbledore estava certo - e eu tenho certeza que estava - existem ainda quatro deles lá fora. Eu preciso encontrá-los e destruí-los e então depois eu devo ir de encontro ao sétimo pedaço da alma de Voldemort, o pedaço que ainda permanece em seu corpo, e sou eu quem deverá encontrá-lo para matar. E se eu encontrar Severus Snape ao longo do caminho", acrescentou "tanto melhor para mim, quanto pior para ele".O silêncio pesava.A multidão estava quase dispersa agora, davam os pêsames com um largo abraço na figura monumental de Hagrid, cujos suspiros ainda ecoavam através das águas.- "Temos que voltar, Harry," disse Rony.- "O quê?"- "para a casa de seu tio e sua tia," disse Rony "e então iremos contigo, onde quer que você vá." - "Não -" disse rapidamente Harry, ele não contava com isso, e ele pensava que eles deviam entender que ele deveria fazer só uma longa e perigosa jornada.- "Você já nos disse isso," disse Hermione calmamente, "que tinha tempo para nós voltarmos atrás enquanto você também procura. Nós temos tempo, ou não temos?"- "Estaremos contigo pro que der e vier", disse Rony. "mas, amigo, você deve retornar à minha casa antes que a gente faça outra coisa, juntamente a papai e mamãe na Toca".- "Porquê?".- "Gui e Fleur vão se casar, lembra?".Harry olhou para ele, paralisado. A idéia de qualquer coisa tão normal como um casamento parecera incrível e, entretanto, bela.- "Sim. Não devemos faltar!", ele disse finalmente. Sua mão se fechou automaticamente sobre o Horcruxe falso, mas apesar de tudo, apesar da obscuridade e da trajetória que se apresentava diande de si, apesar do encontro final com Voldemort que sabia que poderia estar dali a um mês, a um ano, ou em dez, sentiu seu coração elevar o pensamento de que havia , junto a Rony e Hermione, ainda um dia dourado de paz para apreciar.
FIM

Sexta-feira, Julho 22, 2005

Capítulo 29

Capítulo 29 - O Lamento da Fênix

"Venha Aqui, Harry".
"Não"
"Olhe, não pode ficar aqui, Harry... Venha agora... lá dentro".
"Não".
Ele não queria deixar Dumbledore, ele não queria ir a lugar algum. A mão de Hagrid em seu ombro estava tremendo. Então uma outra voz disse, "Harry, venha".
Uma mão muito menor e mais quente pegou-o e puxou-o para cima. Ele obedeceu à pressão daquilo sem pensar no que era. Somente quando foi puxado cegamente para trás através da multidão ele percebeu, por um cheiro de perfume de flores, que era Gina quem o conduzia para fora do castelo. As vozes incompreensíveis golpeavam-no, choros, gritos e lamentos cortavam a noite, mas Harry e Gina caminhavam, passo a passo até o Salão Principal. Rostos passavam na visão de Harry, pessoas espreitando-o, sussurrando, admirando, os rubis da Grifinória brilhando no assoalho como gotas de sangue enquanto eles seguiam seu caminho em direção à escadaria de mármore.
"Nós estamos indo à ala hospitalar", disse Gina.
"Eu não estou machucado" disse Harry.
"São ordens de McGonagall", disse Gina. "Todos estão lá. Ron, Hermione, Lupin e todos-".
O medo assomou o peito de Harry novamente: Ele havia se esquecido das figuras inertes que havia deixado para trás.
"Gina, quem mais está morto?".
"Não se preocupe, não é nenhum de nós".
"Mas e Marca Negra - Malfoy disse que pisou sobre um corpo".
"Ele pisou em Gui, mas está tudo bem, ele está vivo".
Mas havia algo em sua voz que Harry sabia que era de mau agouro.
"Você tem certeza?".
"Claro que tenho certeza... Ele só está um pouco mau, e é só. Madame Pomfrey diz que ele não - não quer mais parecer o mesmo".
A voz de Gina estremeceu um pouco.
"Nós não sabemos quais serão os efeitos colaterais - Quero dizer, Greyback é um lobisomem, mas não estava transformado naquele momento".
"Mas e os outros... Havia outros corpos na terra...".
"Neville e Prof Flitwick estão feridos, mas Madame Pomfrey disse que eles ficarão bem". E um Comensal da Morte morreu, ele recebeu um feitiço mortal de um gigante loiro que o estava soltando para todo lado - Harry, se nós não tivéssemos tomado a sua poção Felix, acho que agora nós estaríamos mortos, mas tudo nesse momento nos parece perdido-.
Eles haviam alcançado a ala hospitalar. Harry viu Neville deitado, aparentemente adormecido, em uma cama perto da porta. Ron, Hermione, Luna, Tonks e Lupin estavam juntos em volta de outro leito no final da ala. Com o som das portas abrindo, todos olharam. Hermione correu para Harry e o abraçou; Lupin foi ao seu encontro, olhando ansioso.
"Você está bem Harry?".
"Estou bem... como está Gui?".
"Ninguém respondeu". Harry olhou sobre o ombro de Hermione e viu um rosto irreconhecível deitado no travesseiro de Gui, tão gravemente retalhado e rasgado que ele olhou torto. Madame Pomfrey tocou sua pele com algum tipo de pomada verde áspera. Harry se lembrou de como Snape tinha curado as feridas de Sectumsempra de Malfoy facilmente com sua varinha.
"Você não pode curá-las com feitiços ou algo assim?", perguntou à enfermeira.
"Nenhuma magia vai resolver isto" disse Madame Pomfrey. "Eu tentei de tudo que conheço, mas não há nenhuma cura para mordidas de lobisomem".
"Mas não foi mordido na lua cheia" disse Rony, que estava olhando para o rosto do seu irmão como se ele pudesse de algum jeito curá-lo apenas olhando-o fixamente.
"Greyback não tinha se transformado, então certamente Gui não vai ser um, um...?".
Ele olhou inseguro para Lupin.
"Não, eu não acho que Gui tenha virado um lobisomem", disse Lupin. "Mas isso não quer dizer que não houve contaminação. Essas feridas são amaldiçoadas. É improvável que elas sejam completamente curadas e... Gui pode ter algumas características de lobo de agora em diante".
"Acho que talvez Dumbledore saiba de alguma coisa que possa resolver" disse Rony. "Onde está ele? Gui lutou com aqueles maníacos sob Ordem de Dumbledore, Dumbledore deve a ele, ele não pode deixá-lo neste estado!".
"Ron... Dumbledore está morto" disse Gina.
"Não!" Lupin olhou assustado de Gina para Harry, como se Harry pudesse contradizê-la, mas, quando Harry fez sinal negativo, Lupin desmontou em uma cadeira ao lado da cama de Gui, com as mãos sobre o rosto. Harry nunca tinha visto Lupin perder o controle daquele jeito; ele sentiu como se estivesse invadindo alguma coisa pessoal. Ele se afastou e olhou pra Rony, trocando, em silêncio, um olhar que confirmava o que Gina havia dito.
"Como ele morreu?", sussurrou Tonks. "Como isso aconteceu?".
"Snape o matou", disse Harry. "Eu estava lá, eu o vi. Nós chegamos atrás da Torre de Astronomia porque era lá o lugar onde estava a Marca..." "Dumbledore estava ruim, estava fraco, mas eu acho que ele entendeu que aquilo era uma armadilha quando ouviu passos correndo pela escada. Ele me imobilizou, eu não podia fazer nada, estava debaixo da Capa da Invisibilidade. Então Malfoy apareceu na porta e o desarmou".
Hermione levou as mãos à boca e Rony gemeu. A boca de Luna estremeceu.
"Mais Comensais da Morte chegaram - e então Snape - Snape o matou. Com o Avada Kedavra". Harry não podia continuar.
Madame Pomfrey desatou a chorar. Ninguém deu atenção a ela, a não ser Gina, que sussurrou "Shh! Escutem!".
Engolindo o choro, Madame Pomfrey levou os dedos à boca, seus olhos arregalados. Em algum lugar na escuridão lá fora, uma Fênix estava cantando de um jeito que Harry nunca havia ouvido antes: um penetrante lamento de uma terrível beleza. E Harry sentiu, como se já tivesse sentido o som da Fênix antes, que aquela musica estava dentro dele, não fora: Ela estava, em sua tristeza, transformada magicamente em um som que ecoava através das terras e das janelas do castelo.
Quanto tempo eles todos permaneceriam ali, ouvindo, ele não sabe, nem porquê aquilo pareceu tranqüilizar sua dor, ouvir o som de seu luto, ele sentiu como se muito tempo tivesse passado quando a Prof. McGonagall entrou na ala hospitalar. Como todo o resto, ela sofreu seqüelas da recente batalha: havia feridas em seu rosto e sua túnica estava rasgada.
"Molly e Arthur estão a caminho" ela disse, e o feitiço da música foi quebrado. Todos despertaram como se saíssem de um transe, voltando a olhar pra Gui, sem balançarem a cabeça. "Harry, o que aconteceu? De acordo com Hagrid, você estava com Prof Dumbledore quando ele... quando aconteceu. Ele disse que Prof. Snape estava envolvido em algo".
"Snape matou Dumbledore!", disse Harry.
Ela fixou os olhos nele por um momento, de maneira preocupante; Madame Pomfrey, que pareceu ter desmoronado com ela, correu adiante, conjurando uma cadeira do nada que ofereceu a McGonagall.
"Snape" repetiu McGonagall fracamente, caindo sobre a cadeira. "Nós todos sabíamos... mas ele confiou... sempre... Snape... Eu não posso acreditar...".
"Snape era perfeito demais em Oclumência", disse Lupin, sua voz incomparavelmente áspera. "Eu sempre soube disso".
"Mas Dumbledore jurava que ele estava do nosso lado!", murmurou Tonks. "Eu sempre achei que Dumbledore soubesse qualquer coisa sobre Snape que nós não sabíamos...".
"Ele sempre sugeriu que tinha uma séria razão para confiar em Snape" murmurou Prof McGonagall, agora secando seus olhos molhados com um lenço. "Eu quero dizer... com a história de Snape... claro que era de se espantar... mas Dumbledore me disse claramente que o arrependimento de Snape era verdadeiro... Não ouviria uma palavra contra ele".
"Eu adoraria saber o que Snape disse para convencê-lo", disse Tonks.
"Eu sei", disse Harry, e todos tornaram a olhar para ele. "Snape passou a Voldemort a informação que o permitiu perseguir os meus pais. Então Snape disse a Dumbledore que não sabia o que estava fazendo, que ele estava realmente arrependido do que tinha feito, arrependido de tê-los matado".
Todos o encararam.
"E Dumbledore acreditou nisso?", disse Lupin, incrédulo. "Dumbledore acreditou que Snape sentia muito por Tiago estar morto? Snape odiava Tiago...".
"E ele não achava que minha mãe valia uma maldição tampouco" disse Harry, "Porque ela havia nascido trouxa... 'Sangue-ruim'... era como ele a chamava".
Ninguém perguntou como Harry soube disso. Todos eles pareciam estar perdidos em um choque terrível, tentando engolir a monstruosa verdade do que tinha acontecido.
"Isso é tudo minha culpa", disse a Prof McGonagall de repente. Ela olhava desorientada, torcendo seu lenço molhado em suas mãos. "Minha culpa. Eu mandei Filius trazer Snape essa noite. Na verdade, pedi para ele vir e ajudar-nos! Se eu não tivesse alertado Snape quanto ao que estava acontecendo, ele nunca poderia ter unido forças com os Comensais da Morte. Eu não acho que ele sabia que eles estavam lá antes de Filius ter dito a ele, acho que ele não sabia que eles estavam chegando".
"Não é sua culpa Minerva", disse Lupin firmemente. "Nós todos precisávamos de ajuda, estávamos satisfeitos por Snape estar a caminho".
"Então, quando ele chegou para a batalha, passou para o lado dos Comensais da Morte?", perguntou Harry, que queria saber mais sobre a duplicidade e traição de Snape, coletando com ardor mais razões para odiá-lo, para jurar vingança.
"Eu não sei realmente como isso aconteceu" disse Prof McGonagall distraidamente. "Isso tudo é tão confuso... Dumbledore havia nos dito que ia deixar a escola por poucas horas e que ficássemos patrulhando os corredores só pra garantir... Remus, Gui e Ninfadora iriam se juntar a nós... e então nós patrulhamos. Tudo parecia calmo. Toda passagem secreta para fora da escola estava coberta. Nós sabíamos que ninguém poderia entrar voando. Há poderosos encantamentos em cada entrada do castelo. Eu não sei como os comensais da Morte podem ter entrado".
"Eu sei" disse Harry, e explicou, resumidamente, sobre o par de Armários Invisíveis e o caminho mágico que eles haviam feito. "Então eles entraram através da Sala Precisa".
Quase contra sua vontade, ele olhou para Rony e Hermione, ambos olhavam abatidos.
"Eu estraguei tudo, Harry" disse Rony tristemente. "Nós fizemos como você nos disse: checamos o Mapa do Maroto e não conseguimos ver Malfoy nele, então achamos que ele poderia estar na Sala Precisa. Então eu, Gina e Neville fomos checá-la... mas Malfoy tinha fugido".
"Ele saiu da sala uma hora depois de começarmos a procurá-lo" disse Gina. "Ele estava sozinho, apertando com força aquele horrível braço enrugado".
"Sua Mão da Glória" disse Rony "Fornece luz apenas para quem a segura, lembra?".
"De qualquer maneira", Gina continuou "Ele poderia estar vendo se a barra estava limpa para deixar os Comensais da Morte saírem, porque, no momento em que ele nos viu, jogou alguma coisa no ar e tudo ficou negro como piche".
"Poder Peruano de Escuridão Instantânea" disse Ron amargamente.
"Nós tentamos de tudo, Lumus, Incêndio", disse Gina. "Nada penetrava na escuridão". "Tudo que nós pudemos fazer foi tatear a saída para o corredor de novo e, ao mesmo tempo, nós ouvimos pessoas correndo atrás de nós. Obviamente Malfoy pode ver com aquela coisa na mão e os estava guiando, mas nós não ousamos lançar feitiços ou qualquer coisa no caso de nós colidirmos e, na hora em que chegamos a um corredor iluminado, eles já tinham ido".
"Felizmente" disse Lupin, rouco. "Rony, Gina e Neville se encontraram conosco quase que imediatamente e nos disseram o que tinha acontecido. Nós encontramos os Comensais da Morte minutos depois, indo em direção à Torre de Astronomia. Malfoy obviamente não esperava encontrar mais pessoas vigiando; ele pareceu ter esgotado seu suprimento de Poder da Escuridão, de qualquer jeito. Uma luta ocorreu, eles se dispersaram e nós começamos a persegui-los. Um deles, Gibbon, fugiu e correu para as escadarias da torre...".
"Para conjurar a Marca?", perguntou Harry.
"Ele podia ter feito isso, sim, eles podiam ter planejado aquilo antes de deixar a Sala Precisa" disse Lupin. "Mas eu não acho que Gibbon gostou da idéia de ficar esperando por Dumbledore lá sozinho, porque ele voltou correndo e desistiu das escadas para retornar a batalha, lançando uma maldição fatal da qual eu apenas desviei".
"Então se Rony estava vigiando a Sala Precisa com Gina e Neville" disse Harry, olhando pra Hermione, "Onde você estava?".
"Do lado de fora do escritório de Snape, sim", murmurou Hermione, seus olhos brilhavam com as lágrimas, "com Luna. Nós esperamos por algum tempo e nada aconteceu... Nós não sabíamos o que estava acontecendo lá em cima, Rony tinha levado o mapa... Era quase meia-noite quando o Prof. Flitwick apareceu correndo atrás de nós dentro das masmorras. Ele estava gritando sobre Comensais da Morte no castelo. Eu acho que ele não percebeu que eu e Luna estávamos lá, apenas explodiu seu caminho até o escritório de Snape e nós o ouvimos dizendo que Snape tinha que voltar com ele e ajudá-lo, e então nós ouvimos uma forte pancada e Snape veio empurrando tudo de dentro de sua sala e ele nos disse e - e..." - "O que?" Disse Harry encorajando-a.
"Eu fui tão estúpida, Harry!", disse Hermione em um berrante sussurro. "Ele disse que o Prof Flitwick havia sofrido um colapso e que nós deveríamos ir e cuidar dele enquanto ele - enquanto ele ia ajudar na batalha contra os Comensais da Morte" - Ela cobriu o rosto por vergonha e continuou a falar entre seus dedos, sua voz estava abafada. "Nós fomos à sala dele ver se podíamos ajudar o Prof Flitwick e fazê-lo recuperar a consciência... e, oh, isso é tão óbvio agora, Snape podia ter estuporado Flitwick, mas nós não podíamos saber, Harry, nós não sabíamos, nós apenas deixamos Snape ir".
"Não é culpa sua Hermione", disse Lupin firmemente. "Hermione, se você não tivesse obedecido Snape, tentando tirá-lo do caminho, ele provavelmente teria matado você e Luna".
"Depois, então, ele subiu", disse Harry, que estava vendo Snape correndo para a escadaria de mármore em seu pensamento, sua capa preta balançando atrás dele como sempre, puxando sua varinha de dentro de sua capa enquanto ele subia, "e ele encontrou o lugar onde vocês todos estavam lutando...".
"Nós estávamos com problemas, estávamos perdendo", disse Tonks em voz baixa. "Gibbon havia sido derrotado, mas o resto dos Comensais da Morte parecia disposto a lutar até o fim. Neville estava machucado; Gui havia sido ferido por Greyback... estava escuro... havia feitiços voando para todos os lados... Malfoy havia desaparecido, ele devia ter parado antes, nos degraus de cima... Então mais deles o seguiram, mas um deles bloqueou a escada atrás deles com algum tipo de feitiço... Neville correu até lá e colidiu no ar".
"Nenhum de nós podia continuar prosseguindo" disse Rony, "e aquele Comensal da Morte forte estava atirando maldições para todo lugar, ele atingia as paredes e dificilmente nos evitava".
"E então Snape estava lá" disse Tonks. "E então não estava -".
"Eu o vi correndo em direção a nós, mas aquele Comensal da Morte gigante jogou um feitiço que me atirou pra trás e eu bati a cabeça, desmaiei e perdi a noção das coisas", disse Gina.
"Eu o vi passar diretamente pela barreira de feitiço, como se ela não estivesse lá" disse Lupin. "Eu tentei segui-lo, mas fui jogado para trás, como Neville...".
"Ele podia conhecer um feitiço que nós não sabíamos", murmurou McGonagall. "Apesar de tudo - Ele era o professor de Defesa Contra as Artes das Trevas... Eu apenas supus que ele estava com pressa pra capturar os Comensais da Morte que haviam fugido para a torre...".
"Ele estava", disse Harry com selvageria. "Mas para ajudá-los, não para impedi-los... e eu aposto que ele tinha a Marca Negra para ultrapassar aquela barreira - então, o que aconteceu quando ele voltou?".
"Bem, o grande Comensal da Morte soltou um feitiço que fez desabar metade do teto e, além disso, quebrou o feitiço que bloqueava a passagem", disse Lupin. "Nós todos prosseguimos - aqueles que ainda estavam de pé, - e então Snape e o garoto surgiram de dentro da poeira - obviamente nenhum de nós os atacou".
"Nós os deixamos passar", disse Tonks com uma voz vazia. "Nós achamos que eles estavam caçando Comensais da Morte - depois um outro Comensal e Greyback vieram atrás e nós lutamos de novo - Eu pensei ter ouvido Snape gritar alguma coisa, mas eu não sei o que" -.
"Ele gritou: 'Acabou'". Disse Harry. "Ele tinha feito o que pretendia".
Todos eles se calaram. O lamento de Fawkes ainda ecoava sobre a escuridão dos terrenos lá fora. Enquanto a música soava no ar, instantaneamente, pensamentos indesejáveis surgiram na mente de Harry... Eles já haviam tirado o corpo de Dumbledore do pé da torre? O que aconteceria depois? Onde ele jazeria? Ele apertou seu punho no bolso. Ele podia sentir o pequeno pedaço de Horcrux frio sobre as pontas de seus dedos da mão direita.
As portas da ala hospitalar se abriram, fazendo todos se sobressaltarem: o Sr. e a Sra. Weasley estavam caminhando para a ala, Fleur estava atrás deles, seu lindo rosto aterrorizado.
"Molly - Arthur...", disse a Prof. McGonagall levantando-se e apressando-se para cumprimentá-los. "Eu sinto muito".
"Gui" sussurrou Sra. Weasley, deixando a Prof. McGonagall pra trás enquanto mirava o rosto mutilado de Gui. "Oh, Gui".
Lupin e Tonks haviam levantado apressadamente e se afastado para que Sr. e Sra. Weasley pudessem se aproximar da cama. A Sra. Weasley curvou-se sobre seu filho e levou seus lábios até sua testa sangrenta.
"Você disse que Greyback atacou-o" perguntou o Sr. Weasley à Prof. McGonagall distraidamente. "Mas ele não havia se transformado? O que isso significa? O que vai acontecer com Gui?".
"Nós ainda não sabemos" disse a Prof. McGonagall, olhando desamparadamente para Lupin.
"Provavelmente haverá alguma contaminação, Arthur" disse Lupin. "É um caso estranho, provavelmente o único... Nós não sabemos qual será o comportamento dele quando acordar...".
A Sra. Weasley pegou a pegajosa pomada de Madame Pomfrey e começou a passar nas feridas de Gui.
"E Dumbledore?" Disse o Sr. Weasley. "Minerva, isso é verdade...? Ele realmente está...?".
Enquanto Prof. Minerva acenava afirmativamente, Harry sentiu Gina se mover perto dele e olhou para ela. Seus olhos, levemente estreitados, estavam fixos em Fleur, que observava Gui com uma expressão fria no rosto.
"Dumbledore se foi", sussurrou o Sr. Weasley, mas a Sra. Weasley só tinha atenções para seu filho mais velho; ela começou a chorar, suas lágrimas caíam no rosto mutilado de Gui.
"Claro que não importa como está sua aparência... Isso não é r-realmente importante... mas ele era um g-garotinho muito bonito... sempre muito bonito... e ele ia se casar!".
"Então, o que você quer dizer com isto?", disse Fleur, de repente, e em voz alta. "O que você quis dizer com 'ele ia se casar'?".
A Sra. Weasley levantou seu rosto coberto de lágrimas, olhando imediatamente. "Bem - só que -"
"Você acha que Gui não gostaria de se cazzar comigo de qualquer maneira?", protestou Fleur. "Você acha que, por causa dessas mordidas, ele não vai me amar?".
"Não, não era isso o que eu -".
"Porque ele vai!", disse Fleur, controlando-se e jogando para trás sua cascata de cabelos prateados. "É preciso mais do que um Lobisomem para que Gui deixe de me amar".
"Bem, sim, tenho certeza", disse Sra Weasley. "Mas eu acho que talvez - dado que ele - ele -".
"Você achou que eu não ia querer me cazzar com ele? Ou talvez você esperasse isso?", disse Fleur, suas narinas se dilatando. "O que importa a aparência dele? Eu sou bonita o bastante para nós dois, eu acho! Todas essas feridas mostram que meu noivo é corajoso! Eu farei isto!", ela acrescentou com firmeza, empurrado Sra. Weasley pro lado e tirando a pomada das mãos dela.
A Sra. Weasley esbarrou em seu marido e viu Fleur limpando as feridas de Gui com uma expressão muito curiosa em seu rosto. Ninguém disse nada; Harry não ousou se mexer. Como os outros, ele estava esperando pela explosão. "Nossa grande titia Muriel", disse a Sra. Weasley, depois de uma longa pausa. "Tinha uma bela grinalda - feita por um duende - que estou certa que eu posso convencê-la a emprestar para o casamento. Ela gosta muito de Gui, você sabe, e ficaria linda em seu cabelo".
"Obrigada", disse Fleur com dignidade. "Eu estou certa de que ficará linda".
Então, Harry não soube como aconteceu, ambas estavam chorando e se abraçando. Completamente confuso, fascinado como o mundo havia enlouquecido, ele se virou: Ron olhou impressionado, e Hermione e Gina trocavam olhares horrorizados.
"Veja!", disse uma voz tensa. Tonks olhou deslumbrada para Lupin. "Ela ainda quer casar com ele, mesmo ele estando com essas mordidas! Ela não se importa!".
"É diferente", disse Lupin, mexendo pouco seus lábios e olhando repentinamente tenso. "Gui não vai ser um lobisomem por completo. Os dois casos são completamente -".
"Mas eu não me importo com nenhum dos dois, não me importo!", disse Tonks, agarrando a capa de Lupin e a chacoalhando. "Eu te disse um milhão de vezes...".
E o significado do Patrono de Tonks e seu cabelo colorido, a razão dela ter corrido para encontrar Dumbledore quando ouviu rumores de que alguém havia sido atacado por Greyback, tudo pareceu repentinamente claro para Harry: Tonks não havia se apaixonado por Sirius afinal de contas.
"E eu te disse milhões de vezes", disse Lupin, procurando evitar os olhos dela, olhando fixamente para o chão, "que eu sou muito velho pra você, muito pobre... muito perigoso...".
"Eu te disse desde o começo que você está colocando obstáculos ridículos nisso, Remo", disse a Sra. Weasley sobre o ombro de Fleur, enquanto dava tapinhas nas costas dela.
"Eu não estou sendo ridículo", disse Lupin firmemente. "Tonks merece alguém jovem e inteiro".
"Mas ela quer você", disse o Sr. Weasley com um pequeno sorriso. "E apesar de tudo, Remo, homens jovens e inteiros não permanecem, necessariamente, assim".
Ele gesticulou tristemente para seu filho, encostando-se ao lado dele.
"Esse não... é o momento para discutir isso", disse Lupin, evitando o olhar de todos enquanto ele olhava em volta distraidamente. "Dumbledore está morto...".
"Dumbledore ficaria feliz que alguém soubesse que há algum amor no mundo", disse Prof. McGonagall, de forma direta, enquanto as portas do hospital abriam novamente e Hagrid entrava.
Apenas uma pequena parte de seu rosto não estava encoberta por seu cabelo ou por sua barba, que estava grande e molhada; Ele estava tremendo e chorando, um grande, e manchado, pano em suas mãos.
"Eu tive... eu tive que fazer isso, Professora" ele engasgou. "Retirá-lo. A Prof. Sprout está levando as crianças de volta pra cama. O Prof. Flitwick está repousando, mas ele disse que vai ficar bem em pouco tempo, e Prof. Slughorn disse que os representantes do Ministério foram informados".
"Obrigada, Hagrid", disse a Prof. McGonagall, levantando-se de uma vez e voltando a olhar pro grupo em volta da cama de Gui. "Eu terei que ver os representantes do Ministério, quando eles chegarem aqui. Hagrid, por favor, diga aos diretores das casas - Slughorn pode representar a Sonserina - que eu quero vê-los em minha sala imediatamente. Eu gostaria que você se juntasse a nós também".
Enquanto Hagrid acenava afirmativamente, virou-se, e foi embora, ela olhou pra Harry atrás dela. "Antes de encontrá-los, gostaria de falar rapidamente com você, Harry. Se você vier comigo...".
Harry levantou-se, murmurou "Vejo vocês daqui a pouco" para Ron, Hermione e Gina, e seguiu a Prof. McGonagall pra fora da ala. Os corredores de fora estavam abandonados e o único som que se ouvia era o canto da Fênix. Muito tempo depois, Harry percebeu que eles não estavam indo pra sala da Prof. McGonagall, mas para a sala de Dumbledore e, depois de um tempo, Harry percebeu que, naturalmente, se ela era vice-diretora... Aparentemente ela era agora a diretora... Então a sala atrás da gárgula agora era dela.
Em silêncio eles subiram à escada em espiral e entraram na sala circular. Ele não sabia o que o esperava: aquela sala havia sido mudada, quem sabe, ou até o corpo de Dumbledore podia estar descansando lá. De fato, parecia quase exatamente quando ele e Dumbledore tinham deixado há poucas horas antes: os instrumentos de prata zumbiam e sopravam nas mesas de pernas finas, a espada da Grifinória na caixa de vidro brilhava ao luar, o Chapéu Seletor em uma prateleira debaixo da escrivaninha, o poleiro de Fawkes estava vazio, ela ainda ressoava seu lamento pelas terras da escola. Um novo retrato havia se juntado à fileira das diretoras e diretores mortos de Hogwarts: Dumbledore estava descansando sobre uma moldura dourada em cima da mesa, os óculos de meia-lua pendurados sobre seu nariz deformado, parecendo tranqüilo e despreocupado.
Depois de olhar uma vez o retrato, a Prof. McGonagall fez um estranho movimento, então se virou contra a mesa pra olhar pra Harry, seu rosto tenso e levemente enrugado.
"Harry", ela disse, "Eu gostaria de saber o que você e professor Dumbledore estavam fazendo esta noite quando você deixou a escola".
"Eu não posso te dizer, Professora", disse Harry. Ele já esperava a pergunta e tinha sua resposta pronta. Tinha sido aqui, nesta sala, que Dumbledore havia dito a ele que não deveria confiar o conteúdo de suas lições para ninguém, a não ser Rony e Hermione.
"Harry, isso talvez seja importante", disse a Prof. McGonagall.
"Isso é", disse Harry "Muito, mas ele não quer que eu diga pra ninguém".
Prof. McGonagall olhou furiosamente para ele. "Potter". Harry registrou o novo uso de seu sobrenome. "Devido à necessidade do esclarecimento da morte de Professor Dumbledore, acho que você pode ver que a situação mudou um pouco -".
"Eu não acho", disse Harry, dando de ombros. "O Professor Dumbledore não me disse para parar de seguir suas ordens caso ele morresse -Mas...".
"Há uma coisa que, de qualquer forma, você deveria saber antes do Ministério chegar: Madame Rosmerta está sob a Maldição Imperius. Ela estava ajudando Malfoy e os Comensais da Morte. Isso está relacionado com o colar e o hidromel envenenado".
"Rosmerta?", disse a Prof. McGonagall, incrédula. Mas, antes que ela pudesse continuar, houve uma batida na porta atrás deles e a Prof. Sprout, Flitwick, e Slughorn entraram na sala, seguidos por Hagrid, que ainda estava chorando muito, seu corpo enorme tremendo com sofrimento.
"Snape!", bradou Slughorn, que pareceu muito chocado, pálido e suado. "Snape! Eu o ensinei! Pensei que o conhecia!".
Mas, antes que alguém pudesse responder - uma voz rígida falou do alto da parede: Um bruxo de rosto pálido, com uma pequena franja negra, tinha aparecido na tela de seu quadro. "Minerva, o ministro vai chegar aqui em alguns segundos, ele vai desaparatar do Ministério".
"Obrigado, Everaldo" disse a Prof. McGonagall, e se voltou rapidamente para os professores.
"Eu quero contar o que aconteceu em Hogwarts antes que ele chegue", disse ela rapidamente. "Pessoalmente, não estou certa de que a escola deveria reabrir no ano que vem. A morte do diretor pelas mãos de um dos nossos colegas é uma mancha terrível na historia de Hogwarts. Isso é terrível".
"Eu estou certa de que Dumbledore gostaria que a escola fosse aberta", disse a Prof. Sprout. "Eu acho que se um único aluno queira voltar então a escola devia permanecer aberta por aquele aluno".
"Será que vamos ter algum aluno depois disso?", disse Slughorn, agora limpando suas sobrancelhas suadas com um lenço de seda. "Os pais vão querer proteger seus filhos em casa e eu não os culpo. Pessoalmente, não acho que nós estejamos em maior perigo em Hogwarts do que em qualquer outro lugar. Mas você não pode esperar que as mães pensem a mesma coisa. Elas vão querer manter suas famílias juntas, isso é natural".
"Eu concordo!", disse Prof McGonagall. "E, em todo caso, não é correto dizer que Dumbledore nunca encarou uma situação em que Hogwarts poderia fechar. Quando a Câmara Secreta reabriu, ele considerou o fechamento da escola - e eu posso dizer que o assassinato de Prof. Dumbledore é mais perturbador pra mim do que um monstro de Sonserina vivendo nas entranhas do castelo sem ser detectado".
"Nós podemos consultar os responsáveis do Ministério...", disse Prof Flitwick, em sua voz estridente; Ele tinha uma grande escoriação na testa, mas parecia, por outro lado, ileso pelo seu colapso na sala de Snape. "Nós podemos seguir o protocolo estabelecido. A decisão não deve ser tomada precipitadamente".
"Hagrid, você não disse nada", disse a Prof McGonagall. "Qual a sua opinião: Hogwarts deve permanecer aberta?".
Hagrid, que estava chorando em silêncio em seu isolamento, limpara seu rosto durante toda a conversa, e agora seus olhos vermelhos estavam inchados e saltados, "Eu não sei, Professora... acho que isso tem que ser decidido pelos Chefes das casas e a diretoria...".
"Prof Dumbledore sempre considerou suas opiniões", disse a Prof McGonagall com gentileza. "Então eu também considero".
"Bem, eu permaneceria" disse Hagrid, grossas lágrimas ainda escorrendo pelos cantos de seus olhos e pingando em suas barbas embaraçadas. "Essa é minha casa... é minha casa desde que eu tinha treze anos. E se há crianças que querem que eu ensine a elas, é isso que vou fazer. Mas... eu não sei... Hogwarts sem Dumbledore...", ele engoliu em seco e desapareceu atrás de seu lenço mais uma vez, e ficou em silêncio.
"Muito bem", disse Prof. McGonagall, olhando os terrenos pela janela, checando pra ver se o Ministro estava se aproximando, "então eu posso concordar com Filius que a melhor coisa a fazer é consultar os governantes, que terão a decisão final".
"Agora, enquanto mandamos os estudantes pra casa... há um argumento a favor de fazer isso particularmente cedo do que mais tarde. Nós podemos fazer com que o Expresso de Hogwarts venha amanhã se necessário ".
"O que faremos sobre o funeral de Dumbledore?", disse Harry, falando finalmente.
"Bem...", disse a Prof. McGonagall, perdendo um pouco a voz pela comoção. "Eu - eu sei que era o desejo de Dumbledore ser enterrado aqui, em Hogwarts -".
"Então isso é o que vai acontecer, não é?", disse Harry ferozmente.
"Se o Ministro achar isso apropriado", disse a Prof. McGonagall. "Nenhum outro diretor ou diretora fez isso -".
"Nenhum diretor ou diretora de Hogwarts fez tanto por essa escola", rosnou Hagrid.
"Hogwarts deve o lugar de descanso de Dumbledore", disse Prof. Flitwick.
"Certamente", disse Prof. Sprout.
"Então, nesse caso", disse Harry, "você não deveriam escrever para as casas dos estudantes até que o funeral aconteça... Eles vão querer dizer... -".
A última palavra ficou presa em sua garganta, mas Prof. Sprout completou sua frase com um "Adeus".
"Bem lembrado" chiou o Prof. Flitwick. "Bem lembrado, de fato! Nossos estudantes deviam prestar uma homenagem, isso seria adequado. Nós podemos arranjar transporte pra casa mais tarde".
"Apoiado", gritou Prof. Sprout.
"Eu suponho... que sim...", disse Slughorn, em uma voz particularmente tremida, enquanto Hagrid soltou um choro emocionado de assentimento.
"Ele está chegando", disse Prof. McGonagall repentinamente, observando os terrenos lá em baixo. "O Ministro... aparentemente. Ele está trazendo uma delegação".
"Eu posso sair Professora?", disse Harry imediatamente.
Ele não queria ver, nem ser interrogado por Rufus Scrimgeour naquela noite.
"Você pode" disse Prof McGonagall. "E rapidamente".
Ela caminhou em direção à porta e ela abriu-se para ele. Ele se apressou na descida da escadaria em espiral e se afastou pelo corredor deserto; ele tinha deixado sua Capa da Invisibilidade no alto da Torre de Astronomia, mas isso não importava; não tinha ninguém no corredor pra vê-lo passar, nem mesmo Filch, Madame Nora, ou Pirraça. Ele não encontrou uma alma viva até o corredor que levava aos dormitórios da Grifinória.
"É verdade?", disse a Mulher Gorda enquanto ele se aproximava. "É realmente verdade? Dumbledore - morreu?".
"Sim", disse Harry.
Ela deixou escapar um lamento, sem esperar pela senha, e abriu passagem para deixá-lo entrar.
Como Harry suspeitava que seria, a sala comunal estava cheia. A sala se silenciou enquanto ele atravessava o buraco do retrato. Viu Dino e Simas sentados em um grupo próximo: isso significava que o dormitório podia estar vazio, ou quase. Sem dizer nada a ninguém, sem qualquer olhar, Harry cruzou a sala e foi direto para o dormitório dos meninos.
Como Harry imaginara, Rony estava esperando por ele, ainda vestido, sentando em sua cama. Harry sentou em sua própria cama e por um momento eles se encararam.
"Eles estavam falando sobre o fechamento da escola", disse Harry.
"Lupin disse que eles fechariam" disse Rony.
Houve uma pausa.
"Então?", disse Rony, em uma voz muito baixa, como se achasse que os móveis poderiam escutá-lo. "Você descobriu algo? Você conseguiu?... Um - um Horcrux?".
Harry balançou a cabeça negativamente. Tudo que tinha acontecido em volta do rio negro parecia um velho pesadelo agora; aquilo realmente havia acontecido há algumas horas?
"Você não pegou?", disse Rony desapontado. "Não estava lá?".
"Não", disse Harry. "Alguém já o tinha levado e deixado um falso no lugar".
"Já tinha sido levado -?".
Sem palavras, Harry puxou o Medalhão de seu bolso, abriu-o, e deu para Rony. A história inteira podia esperar... Ela não importava naquela noite... Nada importava, a não ser o fim, o fim da sua aventura sem sentido, o fim da vida de Dumbledore...
"R.A.B." murmurou Rony "Mas o que é isso?".
"Não sei", disse Harry, deitando em sua cama, totalmente vestido, olhando inexpressivamente para o teto. Ele não tinha nenhuma curiosidade sobre R.A.B.; ele duvidou de que teria curiosidade de novo. Enquanto se deitava, percebeu, repentinamente, que as terras haviam silenciado. Fawkes tinha parado de cantar. E ele estava certo, sem saber como sabia daquilo, de que a fênix tinha ido, tinha deixado Hogwarts pra sempre, como Dumbledore também tinha deixado a escola, tinha deixado o mundo... Tinha deixado Harry.

Capítulo 28

Capítulo 28 - O vôo do Príncipe

Harry sentiu como se estivesse com uma dor muito forte; isso não podia ter acontecido... Não podia ter acontecido...
"Fora daqui, rápido" disse Snape.
Ele agarrou Malfoy pelo pescoço e o empurrou pela porta na frente do resto; Greyback e os irmãos musculosos foram atrás, os dois últimos parecendo muito excitados. Enquanto desapareciam através da porta, Harry percebeu que poderia se mexer novamente. O que o mantinha agora paralisado junto à parede não era mágica, mas horror e choque. Jogou a capa da invisibilidade de lado à medida que o último Comensal da Morte a deixar o alto da torre desaparecia através da porta.
"Petrificus Totalus!".
O Comensal da Morte endureceu como se fosse algo maciço quando teve suas costas atingidas e ele caiu no chão, rígido como um boneco de cera, mas nem tinha atingido o chão ainda quando Harry saltou sobre ele descendo a escadaria escura.
O terror rasgou o coração de Harry... Tinha que buscar Dumbledore e tinha que pegar Snape... De algum modo as duas coisas estavam ligadas... Ele poderia reverter o que havia acontecido se tivesse os dois juntos... Dumbledore não podia ter morrido...
Harry pulou os últimos dez degraus da escada em espiral e parou onde aterrissou, sua varinha levantada. Iluminou o corredor que estava cheio de poeira; metade do teto parecia ter desabado; e parecia ter havido uma batalha terrível antes dele descer, mas enquanto tentava se perguntar quem lutava com quem ouviu o grito da voz odiada, "Está acabado, é hora de ir!" E viu Snape desaparecendo pelo canto no final do corredor; ele e Malfoy pareciam ter forçado caminho através dos destroços da luta. Enquanto Harry ia atrás deles, um dos lutadores levantou-se dos escombros e atacou-o com agressividade: era o lobisomem, Fenrir. Ele foi para cima de Harry antes mesmo que Harry pudesse levantar sua varinha: Harry caiu para trás, com o pêlo opaco e imundo em sua cara, o cheiro de suor e sangue que invadia seu nariz e boca, e a respiração quente e cobiçosa em sua garganta –.
"Petrificus Totalus!".
Harry sentiu Fenrir desabar sobre ele; com um esforço enorme empurrou o lobisomem para o chão quando um jato de luz verde veio voando em sua direção; ele abaixou-se e correu, a cabeça erguida, em direção à luta. Seus pés pisaram em algo espalhado e escorregadio no chão e ele escorregou: Havia dois corpos lá, os rostos para baixo encontravam-se em uma poça de sangue, mas não havia tempo para investigar. Harry viu agora o esvoaçar de cabelos vermelhos como chamas logo à frente: Gina estava presa em combate com um empolado Comensal da Morte, Amycus, que lançava um feitiço após o outro nela enquanto ela desviava: Amycus estava tendo um ataque de riso, apreciando os movimentos dela: "Crucio - Crucio - você não pode dançar para sempre, lindinha-".
"Impedimenta!" Gritou Harry.
Sua azaração acertou Amycus no peito: Ele guinchou de dor como um porco, sendo erguido do chão e batendo na parede oposta, deslizando por ela, e sumindo de vista atrás de Rony, da professora McGonagall, e de Lupin, cada um duelando com um Comensal da Morte diferente. Além deles, Harry viu Tonks lutando com um enorme bruxo loiro que lançava azarações que voavam em todos os sentidos, algumas ricocheteavam nas paredes e em torno deles, rachando pedras, e quebrando a janela mais próxima –.
"Harry, de onde você está vindo?" Gina gritou, mas não havia nenhum tempo para responder. Abaixou sua cabeça e correu o mais rápido possível adiante, evitando por pouco uma explosão sobre sua cabeça, lançando em todos pedaços da parede. Snape não podia escapar, ele precisava alcançar Snape –.
"Peguem eles!" Gritou a professora McGonagall, e Harry vislumbrou um Comensal da Morte, Alecto, indo corredor abaixo com os braços sobre sua cabeça, com seu irmão logo atrás dela. Ele se lançou atrás deles, mas seu pé prendeu em algo, e no momento seguinte ele estava entre as pernas de alguém. Olhando ao redor, viu Neville pálido, seu rosto redondo virado para o chão. "Neville, é você -?".
"Eu estou bem" murmurou Neville, que apertava seu estômago, "Harry... Snape e Malfoy... Passaram correndo...”.
"Eu sei, eu estou atrás deles!" Disse Harry, lançando uma azaração no enorme Comensal da Morte loiro que causava a maioria do caos. O homem deu um uivo de dor quando o feitiço acertou em seu rosto: Ele deu meia-volta, desconcertado, e então disparou atrás dos dois irmãos. Harry se levantou do chão e começou a correr ao longo do corredor, ignorando os estrondos emitidos atrás dele, os gritos dos outros para voltar, e o pedido silencioso das pessoas caídas no chão cujo destino ainda não conhecia...
Ele derrapou no canto, seus pés estavam banhados em sangue; Snape tinha uma vantagem imensa. Era possível que ele já houvesse entrado na Sala Precisa, ou a Ordem tinha feito barreiras de segurança, para impedir que os Comensais da Morte batessem em retirada? Ele não ouvia nada além de seus próprios passos, seu próprio coração disparado enquanto corria ao longo do próximo corredor vazio, mas então notou uma pegada de sangue que mostrou que ao menos um dos Comensais da Morte fugitivos estava indo em direção às portas da frente - talvez a Sala Precisa tivesse sido bloqueada completamente.
Ele derrapou em outro canto e uma azaração passou voando por ele; ele mergulhou atrás de uma armadura que explodiu. Viu os dois irmãos descendo as escadas de mármore em frente e lançou feitiços neles, mas eles meramente bateram em vários bruxos que usavam peruca em um retrato no patamar da escada, que correram gritando para pinturas vizinhas. Enquanto pulava os escombros da armadura, Harry ouviu mais gritos; as pessoas dentro do castelo pareciam ter acordado...
Ele pegou um atalho, esperando alcançar os irmãos e chegar perto de Snape e Malfoy, que deviam certamente estar alcançando os terrenos agora. Lembrando de pular o degrau defeituoso que desaparecia na escadaria abaixo, ele irrompeu através de uma tapeçaria no pé da escada e saiu em um corredor onde estava um grupo de alunos desnorteados da Lufa-Lufa ainda vestindo seus pijamas. "Harry! Nós ouvimos um barulho, e alguém dizendo algo sobre a Marca Negra -" começou Ernesto Macmillan.
"Saiam do caminho!" Gritou Harry, empurrando dois meninos de lado enquanto corria para os terrenos e descia o restante da escadaria de mármore. As portas de carvalho da entrada tinham sido abertas com uma explosão, havia manchas de sangue, e diversos estudantes estarrecidos estavam amontoados junto às paredes, um ou dois ainda estavam congelados com seus braços sobre o rosto. A enorme ampulheta da Grifinória tinha sido quebrada por uma azaração, e os rubis de dentro ainda caiam, com um barulho alto.
Harry correu através do salão de entrada para fora nos terrenos escuros: Ele só podia perceber que três vultos corriam através do gramado, dirigindo-se para os portões além dos quais poderiam desaparatar – podia ver, o enorme Comensal da Morte loiro e, de alguma maneira na frente dele, Snape e Malfoy...
O ar frio da noite rasgava os pulmões de Harry; viu um clarão de luz distante que mostrou por um momento a silhueta que ele perseguia. Não sabia o que era, mas continuou a correr, ainda não estava perto o suficiente para ter uma mira boa para lançar um feitiço-.
Um outro clarão, gritos, jatos de luz, e Harry compreendeu: Hagrid tinha saído de sua cabana e estava tentando parar os Comensais da Morte que escapavam, e embora cada respirada parecesse destruir seus pulmões e a pontada em seu peito fosse como fogo, Harry apressou-se enquanto uma voz em sua cabeça dizia constantemente: Hagrid não... Hagrid também não...
Alguma coisa acertou as costas de Harry duramente e ele caiu para frente, seu rosto colado na terra, e sangue escorrendo de suas narinas: Soube, mesmo enquanto virava, com sua varinha pronta, que os dois irmãos o tinham alcançado usando seu atalho e estavam vindo atrás dele...
"Impedimenta!" Ele gritou enquanto se virava novamente, agachando perto da terra escura, e milagrosamente seu raio bateu em um deles, que tropeçou e caiu, fazendo o outro tropeçar; Harry então levantou e correu atrás de Snape.
E agora tinha visto o contorno de Hagrid, iluminado pela luz da lua crescente que fora revelada de repente por trás das nuvens; o enorme Comensal da Morte loiro lançava feitiço atrás de feitiço no guarda-caças; mas a grande força de Hagrid e a pele resistente que tinha herdado de sua mãe giganta parecia lhe proteger. Snape e Malfoy, entretanto, estavam correndo ainda; logo estariam além dos portões, capazes de desaparatar –.
Harry passou voando por Hagrid e seu oponente, mirou as costas de Snape, e gritou, "Estupefaça!" Ele falhou; o jato de luz vermelha passou por cima da cabeça de Snape; Snape gritou, "Corra, Draco!" E se virou. Alguns metros os separavam, ele e Harry se olharam antes de levantarem suas varinhas simultaneamente.
"Cruc -"
Mas Snape escapou da maldição, arremessando Harry para trás antes que ele pudesse terminar; Harry caiu e levantou-se outra vez quando um enorme Comensal da Morte atrás dele gritou, "Incêndio!" Harry ouviu uma explosão e uma luz alaranjada se esparramou sobre todos eles: A casa de Hagrid estava em chamas.
"Canino está lá dentro, seu miserável -!" Gritou Hagrid.
"Cruc -" gritou Harry pela segunda vez, apontando para o vulto a sua frente iluminado pelas labaredas, mas Snape bloqueou o feitiço outra vez. Harry podia vê-lo desdenhando.
"Sem Maldições imperdoáveis para você, Potter!" Ele gritou por cima do barulho das chamas, dos gritos de Hagrid, e do rugido selvagem de Canino preso. "Você não tem nem coragem ou habilidade -"
"Incarc-" Harry gritou, mas Snape desviou do feitiço apenas tirando o braço devagar.
"Volte para a luta!" Harry gritou para ele. "Volte para a luta, seu covarde –”.
"Você me chamou de covarde, Potter?" Snape gritou. "Seu pai nunca me atacou a menos que estivessem em quatro contra um, do que você o chamaria, eu me pergunto?".
"Stupe -"
"Bloqueado mais uma vez, e o será várias outras vezes até que aprenda a manter sua boca calada e sua mente fechada, Potter!" Snape desdenhou, desviando da azaração mais uma vez. "Agora vamos!" Ele gritou para o enorme Comensal da Morte atrás de Harry. "É hora de ir, antes que o Ministério apareça -".
"Impedi -"
Mas antes que pudesse terminar este feitiço, uma dor insuportável atingiu Harry; ele desabou sobre a grama. Alguém estava gritando, ele certamente morreria nesta agonia, Snape iria torturá-lo à morte ou à loucura.
"Não!" Soou a voz de Snape e a dor parou de repente como tinham começado; Harry estava curvado sobre a grama escura, apertando sua varinha sem fôlego; em algum lugar acima de sua cabeça Snape gritava, "Você se esqueceu de nossas ordens? O Potter pertence ao Lord das Trevas - nós devemos deixá-lo! Vamos! Vamos!".
E Harry sentiu o chão estremecer embaixo de seu rosto enquanto os irmãos e o enorme Comensal da Morte obedeciam, correndo para os portões. Harry soltou um grito de raiva: Naquele momento, ele não se importava se iria viver ou morrer. Levantando-se outra vez, ele cambaleou cegamente em direção a Snape, o homem que agora odiava tanto quanto odiava Voldemort-.
"Sectum -"
Snape puxou rapidamente sua varinha e o feitiço foi repelido mais uma vez; mas Harry estava muito próximo agora e podia ver a cara de Snape claramente: Ele não estava mais zombando ou rindo de Harry; as chamas que flamejavam mostraram uma cara completamente tomada de raiva. Reunindo todo seu poder de concentração, Harry pensou, Levi–.
"Não, Potter!" Gritou Snape. Houve um estrondo muito alto e Harry foi jogado pra trás, caindo na terra dura outra vez; mas desta vez sua varinha escapou de sua mão. Ele podia ouvir Hagrid gritando e Canino uivando enquanto Snape se aproximava olhado pra ele ainda caído, desarmado e indefeso como Dumbledore tinha estado. A cara pálida de Snape, iluminada pela cabana que ardia em chamas, emanando ódio como antes de amaldiçoar Dumbledore.
"Você ousa usar meus próprios feitiços contra mim, Potter? Fui eu quem os inventou - Eu, o príncipe mestiço! E você ia usar minhas invenções em mim, como seu pai imundo, não ia? Eu acho que não... não,".
Harry tinha mergulhado em direção à sua varinha; Snape disparou um feitiço e ela voou de seus pés sumindo na escuridão, fora de sua vista.
"Mate me então" disse Harry sem fôlego, ele não sentia medo algum, mas somente raiva e desprezo. "Me mate como você o matou, seu covarde -".
"NÃO..." gritou Snape, e seu rosto ficou estranho de repente, não era humano, era como se ele estivesse sofrendo tanto quanto o cão preso na casa em chamas atrás deles - “... ME CHAME DE COVARDE!".
E ele fez um movimento como se cortasse o ar: Harry sentiu um brilho quente, alguma coisa parecida com uma chicotada que bateu em seu rosto jogando ele para trás, no chão. Luzes piscavam na frente de seus olhos e por um momento ele não conseguiu mais respirar, então ele ouviu um barulho de asas acima dele e algo enorme ocultou as estrelas. Bicuço tinha voado em direção a Snape, que cambaleou para trás enquanto as garras afiadas o cortavam. Harry se sentou, sua cabeça ainda rodava por causa da última batida no chão, ele viu Snape correndo o mais rápido que podia, a fera enorme batendo as asas atrás dele guinchando como Harry nunca o tinha ouvido guinchar-.
Harry se apoiou sobre seus pés, olhando ao redor e se arrastando até sua varinha, esperando começar outra vez a perseguição, mas enquanto seus dedos tateavam a grama, afastando os galhos, ele soube que estava muito atrasado, e sem dúvida, por causa tempo que tinha perdido tentando encontrar sua varinha, ele se virou e viu somente o hipogrifo cercando os portões. Snape tinha conseguido desaparatar além dos limites da escola.
"Hagrid" murmurou Harry, ainda atordoado, olhando ao redor. "HAGRID?".
Ele cambaleou em direção à cabana que queimava quando uma figura enorme surgiu das chamas carregando Canino em seus ombros. Com um choro de agradecimento, Harry afundou-se em seus joelhos; cada membro de seu corpo tremia, seu corpo doía por inteiro, e sua respiração vinha em pontadas dolorosas.
"Está tudo bem com você, Harry? Está tudo bem? Fale comigo, Harry...".
Hagrid, com todo seu tamanho e sua cara peluda mergulhou em cima de Harry, tampando as estrelas. Harry podia sentir o cheiro de madeira queimada e de pêlo de cachorro; ele estendeu uma mão e se tranqüilizou sentindo o corpo vivo de Canino ao seu lado, morno e trêmulo.
"Eu estou bem" sussurrou Harry. "E você?".
"Claro que estou... levaria muito tempo para conseguirem acabar comigo”.
Hagrid passou suas mãos sob os braços de Harry e o levantou com tal força que os pés de Harry saíram do chão por um momento até que Hagrid o colocasse de pé outra vez. Ele podia ver o sangue que escorria pelo rosto de Hagrid que saía de um corte profundo embaixo de seu olho, e que inchava rapidamente.
"Nós devemos salvar sua casa" disse Harry, "O feitiço ‘Aguamenti’...”.
"Eu sabia que ia acabar assim" resmungou Hagrid, e ele levantou um fumegante guarda-chuva cor-de-rosa, e com um floreio disse, "Aguamenti!".
Um jato da água jorrou da ponta do guarda-chuva. Harry levantou seu braço da varinha, que veio até sua mão, e murmurou "Aguamenti" também: Juntos, ele e Hagrid derramaram água na casa até que a última chama se apagasse.
"Não está tão mal" disse Hagrid esperançosamente poucos minutos depois, olhando os destroços fumegantes. "Nada que Dumbledore não seja capaz de arrumar...".
Harry sentiu uma dor queimar em seu estômago ao som desse nome. Em silêncio e cheio de sentimentos confusos, o horror surgiu dentro dele.
"Hagrid...".
"Eu estava ocupado com um par de pernas do Bichento quando eu os ouvi vindo" disse Hagrid tristemente, ainda olhando fixamente sua cabana destruída. "Vão todas as coisas pro lixo, pobrezinhas...".
"Hagrid...".
"Mas o que aconteceu, Harry? Eu só vi aqueles Comensais da Morte correndo do castelo, mas que inferno Snape estava fazendo com eles? Onde terá ido - estava perseguindo eles?".
"Ele...” Harry clareou sua garganta; estava seca por causa do pânico e da fumaça. "Hagrid, ele matou...”.
"Matou?" Falou Hagrid muito alto, olhando fixamente para Harry. "Snape matou? Do que você está falando, Harry?".
"Dumbledore" disse Harry. "Snape matou... Dumbledore".
Hagrid simplesmente olhou para ele, o pouco de sua cara que estava completamente limpa e que se podia ver parecia não compreender.
"Dumbledore o quê, Harry?".
"Está morto. Snape o matou...".
"Não diga isso" disse Hagrid áspero. "Snape matou Dumbledore - não seja estúpido, Harry. O que fez você dizer isso?".
"Eu vi acontecer”.
"Você não pode ter visto".
"Eu vi, Hagrid".
Hagrid balançou a cabeça; sua expressão era de descrença, e solidariedade, e Harry soube que Hagrid pensava que ele tinha levado uma pancada na cabeça, que ele estava confuso, talvez pelos efeitos de um feitiço...
"O que deve ter acontecido é que Dumbledore deve ter dito para Snape ir com os Comensais da Morte" disse Hagrid com segurança. "Eu suponho que ele foi para manter seu disfarce. Olha, vamos levar você de volta para a escola. Vamos, Harry...".
Harry não tentou discutir ou explicar. Ainda estava tremendo incontrolavelmente. Hagrid logo iria descobrir, muito logo... Enquanto seguiam de volta para o castelo, Harry viu que muitas janelas estavam iluminadas agora. Podia imaginar, claramente, as cenas no interior do castelo, as pessoas que deviam estar indo de quarto em quarto, dizendo umas às outras que os Comensais da Morte tinham estado lá, e que a Marca Negra estava brilhando sobre Hogwarts, que alguém devia ter sido morto...
As portas de carvalho permaneciam abertas logo à frente deles, a luz se espalhava pra fora, pelo caminho e pelo gramado. Lentamente, incertas, as pessoas estavam descendo as escadas, olhando ao redor nervosas e atentas a algum sinal dos Comensais da Morte que tinham fugido noite adentro. Os olhos de Harry, entretanto, estavam fixos na torre mais alta. Ele imaginou que havia visto uma onda negra se espalhando pela grama, embora estivesse realmente muito afastado para ver qualquer coisa do tipo. Mas enquanto olhava fixamente sem palavras para o lugar onde achava que devia estar o corpo de Dumbledore, ele viu as pessoas começarem a vir em sua direção.
"O que vocês estão olhando?" Disse Hagrid, quando ele e Harry se aproximaram da entrada do castelo. Canino se mantinha o mais perto que poderia de seus tornozelos. "O que está se espalhando pela grama?" Hagrid disse de forma aguda, olhando agora para a alta torre de Astronomia, onde se achava um pequeno grupo de pessoas. "Está vendo, Harry? Bem no pé da torre? Embaixo de onde a marca... Ai meu Deus... você não acha que alguém foi morto lá?".
Hagrid ficou em silêncio, com um pensamento aparentemente muito horrível para dizê-lo alto. Harry andou em volta dele, observando os machucados e a dor em sua face, e também em suas pernas onde os vários feitiços o tinham acertado nessa última meia hora, mas por mais incrível que pudesse parecer ele estava sem expressão alguma, como se ninguém perto dele tivesse sido afetado. A verdade da qual não se podia escapar era o sentimento terrível que pressionava seu peito...
Ele e Hagrid andaram, sem pensar, através da multidão que murmurava para os que estavam na frente, onde os estudantes e os professores mudos haviam aberto uma passagem.
Harry ouviu o gemido de dor e de choque de Hagrid, mas não parou; andou lentamente em frente até o lugar onde Dumbledore estava deitado e agachou-se ao lado dele. Ele soube que não havia nenhuma esperança no momento em que o Feitiço do Corpo Preso que Dumbledore lançou o atingiu, sabia que aquilo havia acontecido porque ele estava morto, mas ele ainda não estava preparado para vê-lo ali, jogado no chão, quebrado: o maior de todos os bruxos que Harry já havia visto, ou havia, conhecido.
Os olhos de Dumbledore estavam fechados; mas pelo ângulo que estavam seus braços e pernas, poderia estar dormido. Harry chegou perto, endireitou os óculos de meia-lua em cima do nariz curvado, e limpou o sangue da boca com sua própria manga. Então olhou para aquele sábio rosto velho e tentou absorver aquela verdade enorme e incompreensível: Dumbledore nunca mais iria falar com ele, nunca mais poderia ajudá-lo –.
A multidão murmurava atrás de Harry. Após o que lhe pareceu como um longo tempo, ele percebeu que estava ajoelhado em cima de algo duro e olhou para baixo.
O colar que haviam tentado roubar algumas horas antes tinha caído do bolso de Dumbledore. Ele estava aberto, talvez devido à força com que havia batido no chão. E embora não pudesse sentir mais choque, horror ou tristeza do que já sentia, Harry soube, enquanto o recolhia, que havia algo errado.
Virou o colar em suas mãos. Não era tão grande como o colar que recordava ter visto na Penseira, nem havia nada marcando sua superfície, nenhum sinal do S gravado que supunha ser marca de Salazar Slytherin. Além disso, não havia nada dentro a não ser um pedacinho de pergaminho dobrado em triângulo preso no lugar onde devia haver um retrato.
Automaticamente, sem realmente pensar no que fazia, Harry retirou o pedaço de pergaminho, abriu, e leu graças à luz de muitas varinhas que tinham sido acendidas agora atrás dele:

Ao Lord das Trevas
Eu sei que eu já terei sido morto quando você ler isto, mas eu quero que você saiba que fui eu quem descobriu seu segredo. Eu roubei o Horcrux real e pretendo destruí-lo assim que puder.
Eu enfrento a morte na esperança de que quando você se encontrar com seu igual você será mortal outra vez.
R.A.B.


Harry não sabia nem se importava com o significado da mensagem. Somente uma coisa importava: Aquilo não era um Horcrux. Dumbledore tinha se enfraquecido bebendo aquela poção terrível para nada. Harry amassou o pergaminho em sua mão, e seus olhos queimaram em lágrimas enquanto atrás dele Canino começava a uivar.

Capítulo 27

Capítulo 27 - A Torre atingida pelo Raio

Uma vez de volta sob o céu estrelado, Harry levantou Dumbledore ao topo da rocha mais próxima e então o colocou de pé. Encharcado e tremendo, com o peso de Dumbledore ainda nele, Harry se concentrou como ele jamais tinha feito, o máximo possível em seu destino: Hogsmeade. Fechando seus olhos, ele agarrou o braço de Dumbledore tão firmemente quanto pôde e se colocou adiante daquele sentimento de pressão horrível.
Ele soube que tinha funcionado antes mesmo de abrir os olhos, o cheiro de sal e brisa marinha tinham sumido. Ele e Dumbledore estavam tremendo e gotejando no meio da escura Rua Alta em Hogsmeade. Por um momento horrível a imaginação de Harry lhe mostrou mais Inferis que rastejavam em sua direção ao redor das lojas, mas ele piscou e viu que nada estava se mexendo; tudo estava parado, uma escuridão completa à exceção de algumas lâmpadas de rua e altas janelas iluminadas.
'Nós conseguimos, Professor!' Harry sussurrou com dificuldade; de repente ele percebeu algo queimando em seu peito. 'Nós conseguimos! Nós pegamos o Horcrux!'
Dumbledore cambaleou contra ele. Por um momento, Harry pensou que sua inexperiente Aparatação tivesse deixado Dumbledore fora de equilíbrio; então ele viu a face dele, mais pálida e mais úmida que já vira sob a luz distante de um poste.
'Senhor, está bem?'
'Já estive melhor, ' disse Dumbledore fraco, entretanto os cantos de sua boca se contraíram. 'Aquela poção... Não era nada saudável... '
E para o horror de Harry, Dumbledore caiu no chão.
'Senhor...Está tudo bem, senhor, vai ficar bem, não se preocupe.'
Ele olhou em volta desesperadamente por ajuda, mas não havia ninguém para ser visto e tudo que ele podia pensar era que ele deveria, de alguma maneira, levar Dumbledore depressa a um hospital.
'Nós precisamos chegar até a escola, Senhor... Madame Pomfrey... '
'Não', disse Dumbledore. 'É... Do Professor Snape que eu preciso... Mas acho que não posso caminhar muito, contudo... '
'Certo, senhor, escute... Eu vou bater em uma porta, achar um lugar onde você possa ficar - então eu posso correr e chegar a Madame...'
'Severus', disse Dumbledore claramente. 'Eu preciso de Severus... '
'Certo então, Snape - mas vou ter que o deixá-lo por um momento assim eu posso...'
Antes que Harry pudesse fazer algum movimento, porém, ele ouviu passos de alguém correndo. O coração dele saltou: alguém tinha visto, alguém sabia que eles precisavam de ajuda - e dando uma olhada ao seu redor viu a Madame Rosmerta que corria rua abaixo no escuro na direção deles com salto alto, cheio dos frufrus, usando um roupão de seda bordado com dragões.
'Eu vi vocês aparatando quando estava puxando minhas cortinas do quarto! Oh meu Deus, não pude pensar no que faz... - mas o que tem de errado com Alvo?'
Ela veio hesitante, enquanto arquejava, e fitou os largos olhos de Dumbledore.
'Ele está ferido', disse Harry. 'Madame Rosmerta, ele pode entrar nos Três Vassouras enquanto eu vou ate a escola e consigo ajuda para ele?'
'Você não pode ate ir ate lá sozinho! Você não percebeu - não o viu?'
'Se você me ajudar a apoiá-lo', disse Harry, não a escutando, ‘eu acho que nós podemos colocá-lo lá dentro...'
'O que aconteceu?' Perguntou Dumbledore. 'Rosmerta, o que tem de errado?'
'A...A Marca Negra, Alvos.'
E ela apontou para o céu, na direção de Hogwarts. O medo inundou Harry ao som dessas palavras... Ele se virou e olhou.
Lá estava, se mantendo no céu sobre a escola: o flamejante crânio verde com uma língua de serpente, a marca que os Comensais da Morte deixavam para trás sempre que eles tinham entrado em um edifício... Onde quer que eles tivessem matado...
'Quando apareceu?' Perguntou Dumbledore, e sua mão apertou dolorosamente o ombro de Harry enquanto ele lutava para ficar em pé.
'Deve ter sido minutos atrás, não estava lá quando coloquei o gato para fora, mas quando eu fui para o andar superior-'.
'Nós precisamos voltar imediatamente ao castelo, ' disse Dumbledore. 'Rosmerta', e mesmo cambaleando um pouco, ele parecia ter completamente o controle da situação, 'nós precisamos de transporte - vassouras-'.
'Eu tenho algumas atrás no bar', ela disse, parecendo muito amedrontada. 'Eu devo correr e buscá-las?...'
'Não, Harry pode fazer isso.'
Harry elevou sua varinha imediatamente.
'Accio vassouras da Rosmerta.'
Um segundo depois eles ouviram um estrondo alto quando a porta da frente do bar se abriu; duas vassouras tinham saído para a rua, estavam correndo lado a lado e pararam imóveis ao lado de Harry, tremendo ligeiramente, na altura da cintura.
'Rosmerta, por favor, envie uma mensagem ao Ministério, ' disse Dumbledore, enquanto ele montava na vassoura mais próxima dele. 'Pode ser que ninguém dentro de Hogwarts tenha percebido qualquer coisa de errado... Harry vista sua capa de Invisibilidade'.
Harry tirou a sua Capa do bolso e lançou-a sobre si antes de montar sua vassoura; Madame Rosmerta já estava cambaleando de volta ao bar enquanto Harry e Dumbledore saíam fora do chão e subiam para ar. Quando eles aceleraram em direção ao castelo, Harry olhou lateralmente para Dumbledore, pronto para agarrá-lo se ele caísse, mas a visão da Marca Negra parecia ter agido em Dumbledore como um estimulante: ele tinha se curvado baixo sobre a vassoura, com os olhos fixos na Marca, seus longos cabelos prateados e a barba voavam atrás dele no ar noturno. Harry também olhou à frente para o crânio, e o medo inchou dentro dele como uma bolha venenosa, enquanto comprimia seus pulmões, controlando todo o desconforto de sua mente...
Quanto tempo eles tinham estado fora? Tinha a sorte de Rony, Hermione e Gina se esgotado? Era um deles que tinha feito a Marca Negra ser fixada em cima da escola, ou era Neville, ou Luna, ou algum outro sócio da AD? E se fosse... Ele que tinha lhes dito que patrulhassem os corredores, ele tinha lhes pedido que deixassem a segurança de suas camas... Seria ele responsável, novamente, pela morte de um amigo?
Enquanto eles voavam na escuridão, passavam pelo caminho, abaixo, pelo qual eles tinham caminhado mais cedo. Harry ouviu, por cima do assobio do ar noturno em suas orelhas, que Dumbledore murmura novamente em algum idioma estranho. Ele pensou e entendeu o por que ele sentiu sua vassoura tremer em um momento quando eles voavam por cima dos muros que delimitavam a escola: Dumbledore estava desfazendo os encantos que ele tinha fixado ao redor do castelo, de forma que eles poderiam entrar com velocidade. A Marca Negra estava brilhando diretamente sobre a Torre de Astronomia, a mais alta do castelo. Isso significava que a morte tinha acontecido lá?
Dumbledore já tinha cruzado as plataformas e estava desmontando; Harry pousou próximo há ele segundos depois e deu uma olhada em volta.
As plataformas estavam desertas. A porta para a escada em caracol que conduzia de volta até o castelo estava fechada. Não havia sinal de luta, nem briga com morte, nenhum corpo.
'O que isso significa?' Harry perguntou para Dumbledore, enquanto olhava para o crânio verde com o língua de serpente que se refletia malvadamente sobre eles. 'É a Marca realmente? Alguém definitivamente foi m... Professor?'
No brilho verde escuro da Marca Harry viu Dumbledore apertar seu tórax com sua mão enegrecida.
'Vá e desperte Severus, ' disse Dumbledore fracamente, mas de maneira clara. Conte a ele o que aconteceu e o traga a mim. Não faça mais nada, não fale com ninguém e não remova sua Capa. Eu esperarei aqui.'
'Mas -'
'Você jurou me obedecer, Harry - vá!'
Harry se apressou para porta que conduzia à escada espiral, mas sua mão só tinha há pouco fechado sobre anel de ferro da porta quando ele ouviu passos correndo do outro lado. Ele olhou em volta para Dumbledore que gesticulou para ele retroceder. Harry voltou, enquanto puxava sua varinha.
A porta se abriu violentamente, alguém entrou e gritou: 'Expelliarmus!'
O corpo de Harry ficou rígido e imóvel imediatamente, e ele se sentiu cair para trás apoiando na parede da Torre, como uma estátua instável, incapaz de se movimentar ou falar. Ele não pôde entender como tinha acontecido - Expelliarmus não era um encantamento para imobilizar.
Então, pela luz da Marca, ele viu a varinha de Dumbledore voando em um arco para cima da extremidade das plataformas e então... Dumbledore imobilizou Harry sem usar palavras, e o segundo que ele tinha levado para executar o feitiço tinha lhe custado à chance de se defender.
Levantando-se contra as plataformas, com a face muito pálida, Dumbledore ainda não mostrava nenhum sinal de pânico ou angústia. Ele somente olhou para quem o tinha desarmado e disse: 'boa noite, Draco.'
Malfoy pisou adiante, enquanto olhava depressa ao redor para conferir se ele e Dumbledore estavam sós. Os olhos dele pararam na segunda vassoura.
'Quem mais está aqui?'
'Essa pergunta eu deveria lhe fazer. Ou você está agindo só?'
Harry viu os olhos pálidos de Malfoy encarando Dumbledore por causa do clarão esverdeado da Marca.
'Não'. Ele disse. 'Eu tenho ajuda. Há Comensais da Morte aqui em sua escola esta noite.'
'Bem, bem.' Disse Dumbledore, como se Malfoy estivesse mostrando a ele um ambicioso projeto de lição de casa. 'Realmente muito bom. Você achou um modo para os deixar entrar, como o fez?'
'Sim', disse Malfoy, que estava arquejando. 'Bem debaixo do seu nariz e você nunca percebeu!'
'Engenhoso, ' disse Dumbledore. 'Contudo... Perdoe-me... Onde eles estão agora? Você parece sem assistência.'
'Eles se encontraram com alguns de seus guardas. Estão tendo uma briga lá em baixo. Eles não vão demorar... Eu vim na frente. Eu - eu tenho um trabalho para fazer.'
'Bem, então, você tem que seguir com o que você tem que fazer, meu querido menino', disse Dumbledore suavemente.
Havia silêncio. Harry estava preso dentro de seu próprio invisível e paralisado corpo, enquanto encarava os dois, suas orelhas tentando ouvir os sons da briga distante dos Comensais da Morte, e em frente a ele, Draco Malfoy fez nada mais que olhar fixo a Albus Dumbledore que, inacreditavelmente, sorriu.
'Draco, Draco, você não é um assassino.'
'Como você sabe?' Disse Malfoy imediatamente.
Ele parecia perceber o quão infantil suas palavras tinham soado; Harry o viu corar sob a luz esverdeada da Marca.
'Você não sabe do que eu sou capaz, ' disse Malfoy vigorosamente, ‘você não sabe o que eu fiz!'
'Oh, sim, eu sei', disse Dumbledore suavemente. 'Você quase matou Katie Bell e Ronald Weasley. Você tem tentado, com crescente desespero, me matar todo o ano. Perdoe-me, Draco, mas elas foram tentativas fracas... Tão fracas, para ser honesto, que eu duvido se seu coração realmente esteve empenhado... '
'Esteve sim!' Disse Malfoy veementemente. 'Eu tenho trabalhado nisso o ano todo, e hoje à noite...'
Em algum lugar nas profundidades do castelo, debaixo de Harry houve um grito amortecido. Malfoy endureceu e olhou por cima de seu ombro.
'Alguém está tendo uma briga boa', disse Dumbledore convencionalmente. 'Mas você estava dizendo... Sim, como você planejou introduzir Comensais da Morte em minha escola que, eu admito, pensei ser impossível... Como você fez isso?'
Mas Malfoy não disse nada: ele ainda estava escutando tudo aquilo que estava acontecendo abaixo e parecia quase tão paralisado quanto Harry.
'Talvez você deva seguir com o trabalho sozinho', sugeriu Dumbledore. 'E se a sua ajuda foi impedida pelos meus guardas? Talvez você não tenha percebido, mas há membros da Ordem da Fênix aqui hoje à noite também. E afinal de contas, você realmente não precisa de ajuda... Estou sem varinha no momento... Eu não posso me defender.'
Malfoy somente o encarou.
'Eu vejo', disse Dumbledore amavelmente, quando Malfoy nem se moveu nem falou. 'Você tem medo de agir até que eles cheguem.'
'Eu não tenho medo!' Rosnou Malfoy, entretanto ele ainda não tinha feito nenhum movimento para ferir Dumbledore.
'É você que deveria estar assustado!'
'Mas por que? Eu não acho que você me matará, Draco. Matar não é tão fácil quanto você inocentemente acredita... Assim enquanto nós esperamos por seus amigos, me fale... Como você os contrabandeou para dentro? Parece ter levado muito tempo para calcular como fazê-lo.'
Malfoy olhou como se ele estivesse lutando contra o desejo de gritar, ou vomitar. Ele respirou varias e fundas vezes, enquanto fitava Dumbledore, com sua varinha apontando diretamente ao coração dele. Então, como se ele não pôde se controlar, disse, 'Eu tive que reparar aquele Gabinete que Desaparece quebrado que ninguém tinha usado durante anos. Aquele onde Montague se perdeu no ano passado.'
'Aaaah.'.
O suspiro de Dumbledore era quase um gemido. Ele fechou seus olhos por um momento.
'Isso foi inteligente... Há um par, eu assumo?'
'O outro está na Borgin & Burkes' disse Malfoy 'e eles têm um tipo de passagem entre eles. Montague me falou que quando ele estava preso no de Hogwarts, ele estava enrolado em limbo, mas às vezes ele podia ouvir o que acontecia na escola, e às vezes o que estava acontecendo na loja, como se o Gabinete estivesse viajando entre eles, mas ele não pôde fazer ninguém ouvi-lo... No fim ele conseguiu Aparatar para fora dele, embora ele não tivesse passado em seu teste. Ele quase morreu, fazendo isto. Todo o mundo pensou que era realmente uma boa história, mas eu fui o único que percebeu o significado -mesmo Borgin não sabia - eu fui o único que percebeu que poderia ter um modo de penetrar Hogwarts, pelos Gabinetes se eu consertasse o quebrado.'
'Muito bom'. Murmurou Dumbledore. 'Assim os Comensais da Morte puderam passar de Borgin e Burkes para a escola e o ajudar... Um plano inteligente, um plano muito inteligente... E, como você disse, bem debaixo do meu nariz...'
'Sim.' Disse Malfoy que, grotescamente, parecia criar coragem e confrontar do elogio de Dumbledore. 'Sim, era!'
'Mas houve tempos', Dumbledore continuou, 'em que teve certeza do sucesso reparando o Gabinete, não é? E você resolveu, julgando mal e cruelmente, me enviar um colar amaldiçoado que acabou por alcançar as mãos erradas... Envenenando, havia só uma pequena chance que eu poderia beber... '
'Sim, bem, mas você não descobriu quem estava por atrás daquela matéria-prima, não é?' Zombou Malfoy, Dumbledore deslizou um pouco sobre as plataformas, a força de suas pernas estavam enfraquecendo aparentemente, e Harry lutou sem resultados, contra o encanto que o mantinha.
'De fato, eu sabia'. Disse Dumbledore. 'Eu estava seguro que era você’.
'Por que você não me impediu, então?'
'Eu tentei, Draco. Professor Snape tem mantido os olhos em você sob minhas ordens -'
'Ele não tem o feito sob suas ordens, ele prometeu a minha mãe -'.
'Claro que isso é o que ele lhe contaria, Draco, mas -'.
'Ele é um agente duplo, seu homem velho e estúpido, ele não está trabalhando para você, você pensa que ele está!'
'Nós temos que concordar em diferir nisso, Draco. Acontece que eu confio no Professor Snape -'
'Bem, você está perdendo seu controle, então!' Zombou Malfoy. 'Ele me ofereceu bastante ajuda, querendo toda a glória para ele, querendo um pouco de ação. -''O que você está fazendo? Você que fez o colar, estúpido poderia ter acabado com tudo - “Mas eu não lhe contei o que estava fazendo na Sala Precisa, ele vai acordar amanhã e tudo estará terminado, ele não será mais o favorito do Senhor Escuro, ele não será nada comparado a mim, nada!’”.
'Muito gratificante' disse Dumbledore suavemente. 'Todos nós gostamos de apreciação pelo nosso trabalho duro, claro que... Mas você deve ter tido um cúmplice, afinal de contas... Alguém em Hogsmeade, alguém que pôde levar o colar à Katie ; o, o, aaaah... '
Dumbledore fechou os seus olhos novamente e chacoalhou a cabeça como se estivesse a ponto de dormir.
'...Claro que... Rosmerta. Há quanto tempo ela esta debaixo do encantamento Imperius?'
'Chegou lá afinal, não é?' Malfoy escarneceu.
Houve outro grito vindo de baixo, muito mais alto que o último. Malfoy olhou nervosamente para trás novamente e de volta a Dumbledore, que continuou.
'Rosmerta, pobrezinha foi forçada a se espreitar no próprio banheiro e passar o colar para qualquer estudante de Hogwarts que entrasse no lugar desacompanhado? E o licor envenenado... Bem, naturalmente, Rosmerta pôde envenená-lo para você antes dela enviar a garrafa a Slughorn, acreditando ser meu presente de Natal... Sim, muito perfeito... Bem feito... Pobre Filch, claro que não pensou em conferir uma garrafa de Rosmerta... Diga-me, como você tem se comunicado com Rosmerta? Eu pensei que nós tínhamos todos os métodos de comunicação dentro e fora da escola monitorados.'
'Moedas encantadas', disse Malfoy, como se ele tivesse sido compelido a continuar falando, entretanto a mão de sua varinha estava tremendo bastante. 'Eu tinha uma e ela tinha a outra eu podia enviar mensagens a ela -'
'Não é esse o método secreto de comunicação que o grupo que se chamava a Armanda de Dumbledore usou o ano passado?' Perguntou Dumbledore. A voz dele estava clara e sociável, mas Harry o viu deslizar uma polegada abaixo na parede enquanto ele disse isso.
'Sim, eu usei a idéia deles', disse Malfoy, com um sorriso amarelo. 'Eu peguei a idéia de envenenar o licor da sangue-ruim Granger, bem, eu a ouvi falando na biblioteca algo sobre Filch não reconhecer poções... '
'Por favor, não use essa palavra ofensiva na minha frente'. Disse Dumbledore.
Malfoy deu uma risada malvada.
'Você se preocupa quando eu digo "Sangue-ruim?" Quando estou a ponto de te matar?'
'Sim, eu me importo', disse Dumbledore e Harry viu os pés dele deslizarem um pouco mais no chão enquanto ele lutava para permanecer em pé. 'Mas sobre estar a ponto de me matar, Draco, você teve vários longos minutos. Nós estamos bastante a sós. Eu estou o mais inofensivo que você poderia ter sonhado em me encontrar e você ainda não agiu... '
A boca de Malfoy se contorceu involuntariamente, como se ele tivesse provado algo muito amargo.
'Agora, sobre esta noite', Dumbledore foi em frente, 'eu estou um pouco confuso sobre como aconteceu... Você soube que eu tinha deixado a escola? Mas claro que...' Ele mesmo respondeu sua própria pergunta, ' Rosmerta me viu partindo, ela passou a informação usando sua moeda engenhos, tenho certeza... '
'Está certo', disse Malfoy. 'Mas ela disse que você só estava indo por uma bebida e estaria de volta... '
'Bem, certamente eu tomei uma bebida... E voltei... Depois de um longo tempo', resmungou Dumbledore. ' Então você decidiu preparar uma armadilha para mim?'

'Nós decidimos pôr a Marca Negra em cima da Torre para conseguir que você se apressasse para voltar, ver quem tinha sido morto'. Disse Malfoy. 'E funcionou!'
'Bem... Sim e não...' Disse Dumbledore. 'Mas posso concluir, então, que ninguém foi assassinado?'
'Alguém está morto' disse Malfoy e a voz dele parecia subir uma nota enquanto ele dizia isto. 'Um dos seus... Eu não sei quem, estava escuro... Eu pisei em cima de um corpo... Eu tinha que estar esperando aqui quando você voltasse, só seu grupo da Fênix ficou no caminho... '
'Sim, eles fazem isso, ' disse Dumbledore.
Houve um estrondo e gritos abaixo, mais alto que nunca; soando como se as pessoas estivessem lutando na escadaria em espiral que conduziam para onde Dumbledore, Malfoy e Harry estavam e o coração de Harry trovejou despercebido no peito invisível dele... Alguém estava morto... Malfoy tinha pisado em cima do corpo... Mas quem seria?
Há pouco tempo, de uma maneira ou de outra, ' disse Dumbledore. ' Assim nos resta discutir suas opções, Draco. '
'Minhas opções!' Disse Malfoy ruidosamente. 'Eu estou aqui com minha varinha - eu estou a ponto de mata-lo - '
'Meu querido menino, você não me permitiu ter mais nenhuma pretensão sobre isso. Se você fosse me matar, você teria feito isto antes, quando você me desarmou, você não teria parado para esta conversa agradável sobre modos e meios.'
'Eu não tenho nenhuma opção!' Disse Malfoy e ele estava com rosto tão mortalmente pálido quanto Dumbledore. 'Eu tenho que fazer isto! Ele me matará! Ele matará minha família inteira!'
'Eu percebo a dificuldade de sua posição, ' disse Dumbledore. 'Por que outro motivo você acha que eu não o confrontei antes? Porque eu soube que você seria assassinado por Lorde Voldemort se ele percebesse que eu suspeitava. '
Malfoy estremeceu ao som do nome.
“Eu não ousei falar com você sobre esta missão quando eu soube que tinha sido confiada a você, no caso dele usar Legilimência contra você”. Continuou Dumbledore. “Mas agora, afinal, nós podemos falar claramente a um ao outro... Nenhum dano foi causado, você não feriu ninguém, entretanto, você tem muita sorte que suas vítimas por engano sobreviveram... eu o posso ajudar, Draco”.
“Não, você não pode”, disse Malfoy, a mão da varinha muito mal, realmente tremendo. “Ninguém pode. Ele me disse que fizesse isto ou ele me mataria. Eu não tenho nenhuma escolha”.
“Venha para o lado certo, Draco, e nós poderemos o esconder mais completamente que você possa imaginar possível. E mais, eu posso enviar os membros da Ordem, hoje à noite, à sua mãe e esconde-la também. Seu pai está seguro, no momento, em Azkaban... quando chegar a hora, nós poderemos o proteger também... venha para o lado certo, Draco... você não é um assassino...”
Malfoy encarou Dumbledore.
“Mas eu fui muito longe, não fui?” Ele disse lentamente. Eles pensaram que eu morreria na tentativa, mas eu estou aqui... E você está em meu poder... Eu sou o único com uma varinha... Você está sob minha clemência...”.
“Não, Draco”. Disse Dumbledore, baixinho. 'É minha clemência, e a não sua o que importa agora”.
Malfoy não falou. A boca dele estava aberta, a mão da varinha ainda tremendo. Harry pensou ter visto ele a abaixar por uma fração de segundos -
Mas, de repente, passos estavam ressoando pelos degraus e um segundo após, Malfoy foi empurrado longe quando quatro pessoas vestidas de negro passaram pelo baluarte de entrada. Ainda paralisado, olhando sem pestanejar, Harry contemplou com terror aos quatro estranhos: parecia que os Comensais da Morte tinham ganhado a batalha lá embaixo.
Um homem de aparência lupina com uma estranha virada para o lado, olhou de soslaio e deu uma risadinha ofegante.
"Dumbledore acuado!" Ele disse, e virou para uma pequena mulher que parecia sua irmã e que estava sorrindo ansiosamente. "Dumbledore sem varinha, Dumbledore sozinho! Bem feito, Draco, muito bem feito!".
"Boa noite, Amycus", disse Dumbledore calmamente, como se dando boas-vindas ao homem para uma reunião para o chá. ' E você trouxe Alecto também... Encantando... '
A mulher deu um curto riso furioso.
"Pensa que suas piadinhas o ajudarão na sua hora da morte, então?" Ela zombou.
"Piadas? Não, não, de maneira alguma", respondeu Dumbledore.
"Faça", disse o estranho de pé mais próximo a Harry, um grande e musculoso homem com o cabelo grisalho emaranhado e bigode, cujas vestes pretas de Comensal da Morte pareciam desconfortavelmente apertadas. Ele tinha uma voz como nenhuma outra que Harry alguma vez tivesse ouvido: mais um latido áspero que uma voz. Harry poderia cheirar uma mistura poderosa de sujeira, suor e, estranhamente, de sangue que vinha dele. As mãos imundas tinham unhas amareladas há muito tempo.
'É você, Fenrir? ' Perguntou Dumbledore.
Isso é certo, ' disse o outro, com voz rascante. “Feliz em me ver, Dumbledore?”.
“Não, eu não posso dizer que eu estou...”.
Fenrir Greyback arreganhou e mostrou os dentes pontudos. Sangue gotejava pelo queixo dele e ele lambia os lábios, obscena e lentamente.
“Mas você sabe como eu gosto de crianças, Dumbledore”.
"Eu devo entender que isso leva você a estar atacando até mesmo agora, sem a lua cheia? Isto é muito incomum... você desenvolveu um gosto por carne humana que não pode ser satisfeita apenas uma vez no mês?".
"Correto", disse Greyback. ' Está chocado, Dumbledore? Assusta você?'
'Bem, eu não posso pretender que não me repugne um pouco', disse Dumbledore. ' E, sim, eu estou um pouco chocado que Draco aqui tenha convidado você, de todas as pessoas, para a escola onde os amigos dele vivem...’.
' Eu não fiz, ' respirou Malfoy. Ele não estava olhando Greyback; parecia não querer olhar direto para ele. ' Eu não sabia que ele viria -'
“Eu não perderia uma viagem para Hogwarts, Dumbledore”, falou Greyback. 'Não quando há gargantas para serem arrancadas... Delicioso, delicioso... '
E ele levou uma unha amarela e passou nos dentes da frente olhando de soslaio para Dumbledore.
“Eu o poderia fazer de aperitivo, Dumbledore...”.
“Não” disse o quarto Comensal da Morte nitidamente. Ele tinha um rosto pesado e brutal. “Nós temos ordens. Draco é quem fará isto. Agora, Draco e depressa”.
Malfoy estava mostrando menos resolução que o normal. Ele olhou terrificado para o rosto de Dumbledore que estava até mais pálido e baixo que o habitual, tendo deslizado para longe e abaixo do baluarte da entrada.
'Ele não parece de qualquer maneira perigoso, se você me perguntar!' Disse o homem torto, acompanhando a irmã dele que estava rindo ofegante. 'Olhe para ele - o que é aconteceu a você, então, Dumby?’
'Oh, resistência mais fraca, reflexos mais lentos, Amycus', disse Dumbledore. 'Idade avançada, em resumo... Um dia, talvez, acontecerá a você... Se você tiver sorte... '
'O que significa, então, o que significa? ' Gritou o Comensal da Morte, repentinamente violento. ' Sempre o mesmo, não é, Dumby, falando e não fazendo nada, nada, nem mesmo sei por que o Lorde das Trevas se está aborrecendo para matar você! Venha, Draco, faça!’.
Mas naquele momento, houve sons renovados de luta abaixo e uma voz gritou, ' Eles bloquearam os degraus - Reducto! REDUCTO!'
O coração de Harry deu uma parada: então estes quatro não tinham eliminado toda a oposição, mas meramente furado a briga para o topo da Torre, e, pelo som disso, criou uma barreira atrás deles -.
'Agora, Draco, depressa! ' Disse homem brutal furiosamente.
Mas as mãos de Malfoy estavam tremendo tanto, que ele mal poderia apontar.
"Eu farei isto" grunhiu Greyback, e se moveu para Dumbledore com as mãos estendidas, os dentes à mostra.
'Eu disse não!' Gritou o brutamontes; houve um flash de luz e o lobisomem foi lançado para trás; ele bateu na parede e cambaleou, parecendo furioso. O coração de Harry estava martelando tão forte que parecia impossível que ninguém pudesse ouvir e saber que estava lá, preso pelo feitiço de Dumbledore -se ele se só pudesse mover, ele poderia lançar uma maldição por baixo da capa -.
'Draco, faça ou fique contra nós -' guinchou a mulher, mas naquele preciso momento à porta para as muralhas foi escancarada mais uma vez e lá estava Snape, a varinha apertada na mão. Com os olhos pretos dele varreu a cena, de Dumbledore que afundou contra a parede aos quatro Comensais da Morte, inclusive o lobisomem enfurecido e Malfoy.
“Nós temos um problema, Snape” disse Amycus grosseiro, olhos e varinha apontada para Dumbledore, “o menino não parece capaz –”.
Mas alguém falou o nome de Snape, bastante suavemente.
“Severus...”.
O som assustou Harry além de qualquer coisa que ele tivesse experimentado toda à noite. Pela primeira vez, Dumbledore estava suplicando.
Snape não disse nada, mas caminhou adiante e empurrou Malfoy asperamente para fora. Os três comensais da morte se retiraram sem uma palavra. Até mesmo o lobisomem pareceu se acovardar.
Snape contemplou por um momento a Dumbledore, e havia resolução e ódio marcadas nas linhas rígidas do rosto dele.
'Severus... por favor...".
Snape elevou a varinha e apontou diretamente para Dumbledore.
'Avada Kedavra!'
Um jato de luz verde saiu da ponta da varinha de Snape e acertou diretamente Dumbledore no peito. O grito de horror de Harry nunca o deixou; silencioso e preso, ele foi forçado a assistir quando Dumbledore foi lançado no ar: durante um segundo onde ele pareceu ficar suspenso em baixo do crânio brilhante, e então ele caiu lentamente para trás, como uma grande boneca de trapo, em cima das ameias e longe da vista.